DBRS: Banca está a fechar balcões… mas tem de fazer mais

  • Rita Atalaia
  • 10 Abril 2017

Os bancos europeus estão a fechar balcões, mas os cortes não têm sido significativos. É preciso mais, diz a DBRS. Em Portugal há pouca margem para reduzir custos.

Os bancos europeus continuam com encargos demasiado elevados. A conclusão é da DBRS. Apesar de reconhecer que foram feitos progressos a nível da reestruturação do setor desde a crise, a agência de notação alerta que o corte de custos também não foi significativo desde então. Apesar de as instituições estarem a apostar no fecho de balcões, é preciso mais. Tanto lá fora como em Portugal, ainda que no mercado nacional seja já muito difícil emagrecer a banca.

“Apesar da redução de 17% do número de balcões e de 13% dos trabalhadores, os bancos europeus não reduziram os seus custos de forma significativa desde 2008.” É assim que a DBRS avalia os esforços do setor bancário do Velho Continente para reforçar a solidez e a rentabilidade. A agência de notação reconhece que têm sido feitos esforços, mas que são insuficientes: os custos operacionais continuam muito elevados. “Os bancos têm de dar continuidade aos seus esforços de redução”, defende.

Apesar da redução de 17% do número de balcões e de 13% dos trabalhadores, os bancos europeus não reduziram os seus custos de forma significativa desde 2008.

DBRS

A agência de notação refere que há progressos a nível da “otimização do número de balcões e funcionários”, mas alerta que os “custos operacionais dos bancos não caíram na mesma proporção“. Os custos operacionais no sistema bancário coberto pela DBRS aumentaram, em média, 6%, seja devido às multas, investimentos e aquisições. Isto numa altura em que a rentabilidade está queda.

“A rentabilidade dos bancos europeus continua sob pressão devido a um conjunto de obstáculos estruturais e cíclicos. O crescimento económico limitado e as taxas de juro historicamente baixas representam o maior desafio para a geração de receita da maioria dos bancos europeus”, lê-se na nota enviada pela DBRS, que também destaca o peso do “crédito malparado” em alguns países. Chipre, Grécia e Portugal, por esta ordem, são os países europeus onde o malparado tem maior peso.

O desafio é grande para o setor financeiro. O futuro terá de ser digital, mas o contexto não é favorável. “Tendo em conta o enorme esforço financeiro necessário para a transformação digital, poderá demorar algum tempo até que a redução de custos [fruto da passagem dos balcões físicos para o online] comece a ter um impacto positivo nos lucros. Além disso, muitos bancos continuam a ver o digital como um extra e não um substituto dos balcões físicos”, remata a DBRS.

Cortar custos em Portugal? É difícil

O alerta é deixado numa altura em que a banca europeia está a fechar agências e a despedir funcionários. Portugal não é exceção. Entre o final de 2011 e o primeiro semestre de 2016, o último período para o qual a Associação Portuguesa de Bancos (APB) tem dados disponíveis, o número de balcões caiu em 1.620, para um total de 4.686.

Só a Caixa Geral de Depósitos (CGD) terá, no âmbito do plano de recapitalização, de despedir mais de dois mil trabalhadores e encerrar cerca de 170 balcões. “Em Portugal, os bancos continuam a focar-se na redução dos custos, mas um corte mais significativo através da consolidação da banca é improvável, considerando que o sistema bancário já está bastante concentrado”, refere a DBRS, que vai pronunciar-se sobre o rating do país a 21 de abril.

Na vizinha Espanha, o cenário é semelhante. A agência nota que é “menos provável” uma redução adicional dos balcões, “tendo em conta a reestruturação profunda e significativa que foi feita desde o início da crise financeira”.

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