O que fazer a 500 mil carros retomados? A Volkswagen não sabe

  • Juliana Nogueira Santos
  • 10 Abril 2017

A fabricante alemã retomou mais de 500 mil carros nos Estados Unidos, mas a solução sobre o que fazer com eles não está à vista.

O escândalo das emissões poluentes da Volkswagen rebentou em finais de 2015, quando se ficou a saber que 11 milhões de veículos da fabricante alemã — incluindo os das suas subsidiárias Audi, Skoda e Seat — estavam equipados com um software que reduzia as emissões de gases poluentes quando estavam a ser testados. Estudos vieram revelar que os automóveis emitiam 40% mais gases nocivos que o que era permitido por lei.

Em território norte-americano, foram 500 milhões os veículos com este software vendidos entre 2009 e 2016. No final do ano passado, a marca alemã concordou com as exigências destes clientes e não só garantiu que a situação ia ser resolvida através do arranjo ou da retoma, como se juntava a isto uma indemnização de 5.100 a 10.000 dólares.

A empresa reservou mais de 10 milhões de dólares para comprar os veículos afetados, uma fatia dos 23,9 milhões de dólares que serão necessários para resolver totalmente o problema. O CEO da empresa, Matthias Mueller, afirmou há um mês que não vai ser preciso mais dinheiro, ao contrário dos rumores que circulam.

São 15 mil os donos a irem semanalmente aos concessionários para venderem os seus carros e receberem em troca um valor que pode ascender até aos 40 mil dólares. Estes são depois levados para um entreposto, onde ficam estacionados. É assim que surge o problema da marca: o que fazer a meio milhão de carros retomados, que continuam com o mesmo problema? As soluções não são muitas…

Arranjar para poder vender

A marca não poderá voltar a pôr estes veículos em estrada sem que sejam intervencionados. A solução nem sequer passa por exportar estes para países onde a legislação seja menos restrita, visto que esta ação foi proibida logo à partida.

O programa é uma parte importante dos esforços da Volkswagen para resolver os problemas dos nossos consumidores e reconstruir a confiança nos Estados Unidos.

Jeannine Ginivan

Representante da Volkswagen nos Estados Unidos da América

Existem dois tipos de motores neste processo: os que foram vendidos entre 2009 e 2014, os chamados “Geração Um” e os vendidos em 2015. Estes últimos estão equipados com uma tecnologia mais atual e são mais fáceis de reparar, sendo precisos apenas dois passos: uma atualização de software que já está disponível e a reparação das peças, assim que estas estiverem disponível.

No caso dos motores de “Geração Um”, o processo é bem mais complicado. A reparação será feita através da aplicação de um spray purificante no catalisador. Contudo, alguns carros, por serem demasiado pequenos, vão ter de ser modificados para aceitarem este spray, o que pode vir a revelar-se um custo demasiado elevado para um carro usado.

Além disto, não está provado que esta solução seja durável e que não afete em nenhum aspeto a performance do carro. Estima-se que 65% dos veículos afetados sejam deste tipo.

A solução europeia tarda

O programa de retomas nos Estados Unidos da América vai continuar a funcionar até 30 de junho deste ano, data imposta pelas autoridades para que pelo menos 85% dos automóveis afetados estejam a ser intervencionados. Em declarações à Bloomberg, Jeannine Ginivan, representante da marca nos EUA, afirmou que o programa “é uma parte importante dos esforços da Volkswagen para resolver os problemas dos nossos consumidores e reconstruir a confiança nos Estados Unidos.”

Deste lado do Atlântico o processo não tem sido assim tão fácil. A Comissão Europeia juntou-se às associações de defesa dos consumidores e tem pressionado a marca para que seja encontrada uma solução parecida à norte-americana num futuro próximo. A comissária europeia responsável pelos consumidores, Vera Jourova, incentivou as associações a “utilizarem todos os meios à disposição para proteger os consumidores europeus”.

Relativamente ao caso português, a SIVA, empresa importadora da marca, afirmou que a “grande ação vai decorrer em 2017”, estimando que até setembro estará o “assunto resolvido” em Portugal. Serão 125 mil os veículos afetados.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

O que fazer a 500 mil carros retomados? A Volkswagen não sabe

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião