Há uma crise de batatas fritas no Japão. E os preços disparam

Chamam-lhe a Crise da Batata e já atingiu o mercado das chips. No Japão, os pacotes de batata frita dispararam perante prateleiras praticamente vazias. Más colheitas estão a afetar negócio.

A lei da oferta e da procura afeta qualquer produto no mercado. Desde a onça de ouro nos mercados financeiros, até a um simples pacote de batatas fritas. Como está a acontecer no Japão. A procura por este “petisco” disparou na última semana naquele país com os preços a subirem seis vezes depois de uma empresa que produz batatas fritas bastante popular ter parado a produção depois de más colheitas.

A empresa em causa é a Calbee. Fabrica batatas fritas com sabor a piza que faz as delícias de muitos japoneses. É tão popular que na página de leilões do Yahoo! no Japão chegaram a ser colocadas com o preço de 1.250 ienes (cerca de 10 euros), quando um pacote custa normalmente menos de 200 ienes (1,75 euros).

Rapidamente se tornaram virais nas redes sociais fotos de prateleiras de lojas locais praticamente vazias. O que aconteceu?

A mini crise surgiu depois de a Calbee ter anunciado na passada segunda-feira que vai suspender temporariamente a venda de 15 tipos de batatas fritas que produz na sequência de más colheitas em Hoakkaido, uma região a norte do Japão e onde é cultivada grande parte das batatas. Esta zona foi particularmente atingida por tufões em 2016, que atingiram as áreas de cultivo, afetando a produção.

A Calbee detém 73% do mercado de batatas fritas naquele mercado asiático. A empresa está avaliada em 507,9 mil milhões de ienes (mais ou menos 4,4 mil milhões de euros), sendo detida em 20% pela multinacional PepsiCo.

“Estamos a fazer o que podemos para voltar às vendas”, referiu Rie Makuuchi, porta-voz da Calbee, citado pela Bloomberg (acesso livre/conteúdo em inglês). Adiantou que a empresa está a considerar a importação de batatas dos EUA e que pediu aos produtores do sul da ilha de Kyushu para proceder às colheitas mais cedo do que está previsto.

Para já, o foco desta “Crise da Batata“, como já lhe chamou o jornal nipónico Nikkei, tem sido a Calbee. Ainda assim, a escassez deste bem alimentar deverá espalhar-se por cadeias de restaurantes fast-food e outros restaurantes.

Não é a primeira vez que o Japão enfrenta este tipo de problemas com bens alimentares. As elevadas taxas alfandegárias que condicionam a importação, mas também o menor número de produtores (como acontece no leite), tem provocado algumas ruturas no mercado.

Além da Calbee, também a rival Koike-ya parou a venda de nove produtos. Ambas as empresas não sabem quando voltarão a vender.

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