Inovar com batatas. O Portugal 2020 ajuda

Foram 112 os projetos aprovados em março para receber apoio do Portugal 2020. 75% da dotação reservada para empresas já está comprometida. Taxa de execução vai nos 14%.

Fazer uma garrafa plástica de detergente a partir de uma batata? Sim, a Isolago está a tentar. Em conjunto com a Universidade de Aveiro, esta empresa de plásticos está a desenvolver um projeto que pretende criar um composto de bioplástico biodegradável. O Potatoplastic é um projeto que pretende substituir o plástico tradicional e assim reduzir o impacto ambiental e o custo elevado de o reciclar. A ideia é através dos subprodutos de batata — como óleos de fritar, águas de lavagem de batata, pequenos fragmentos derivados do corte de batata e cascas de batata — desenvolver este composto que servirá para criar fazer as mesmas embalagens de sempre. Mas com muitas vantagens: não só económicas como ambientais.

A ideia tem apoio dos fundos comunitários. O investimento de 1,69 milhões de euros de euros é comparticipado em cerca de um milhão.

Mas a Isolago voltou à carga e, em março, recebeu luz verde para obter mais 180 mil euros dos Sistemas de Incentivos para a ajudar a entrar em novos mercados, mas também consolidar a presença nos mercados internacionais onde já marca presença. Para se internacionalizar esta média empresa alentejana está a investir 400 mil euros.

Este é apenas um dos 112 projetos que foram aprovados em março para receber apoio do Portugal 2020. De acordo com a mais recente atualização das estatísticas do Sistema de Incentivos são já 9.398 os projetos que aprovados, que representam um investimento elegível de 5.686 milhões de euros (ou seja, a parte do investimento que pode ser apoiada por fundos comunitários). Em causa está um incentivo de 2,99 mil milhões de euros.

Os dados revelam ainda que só entrou um projeto para o pipeline que aguarda aprovação, um facto que reflete a inexistência de concursos para as empresas em março — os novos concursos só foram lançados em abril para permitir que o programa Interface chegue ao terreno — e depois de um mês em que não houve qualquer concurso.

Empresas já só têm 25% de dotação disponível

Com o nível de aprovações registado a 31 de março, já foi comprometida 75% da dotação do Portugal 2020 reservado para as empresas, seja através do Programa Operacional Compete 2020, seja da fatia dos Programas Operacionais Regionais que lhes está destinado (no conjunto representam o Sistema de Incentivos).

Este valor explica porque nos novos concursos as regras são mais apertadas, limitando a atribuição de apoios à dotação do concurso, mas também alimenta a ideia de que será necessário reprogramar todo o Portugal 2020 para que possa ser atribuído mais dinheiro às empresas.

Por outro lado, em março foram contratados incentivos no valor 121 milhões de euros. No total, já foram contratados 8.715 projetos (mais 800 face ao mês anterior), o que representa um incentivo de 2,79 milhões de euros.

Fonte: Compete | Valores em milhões de euros

As estatística do Sistema de incentivo também revelam que até 31 de março já foram pagos às empresas 712 milhões de euros — recorde-se que o objetivo do Executivo é chegar ao final deste ano com pagamentos na ordem dos mil milhões — e a taxa de execução está nos 14%, ou seja, despesa que já foi paga e validada por Bruxelas.

Relativamente aos meses anteriores quase nada mudou na análise mais fina dos dados. Assim, a maior parte dos fundos para as empresas destina-se à inovação e empreendedorismo, as pequenas e médias empresas são as principais beneficiárias que operam sobretudo ao nível da indústria transformadora. O destaque continua a ir para o ramo automóvel e aeronáutica.

O Norte continua a ser o campeão, concentração 47% dos incentivos aprovados. Incentivos que se concentram sobretudo em setores de média-baixa (28%) ou baixa intensidade tecnológica (27%).

Entre os projetos aprovados em março, o investimento mais avultado é da M.D.A de Azeméis, uma empresa do Grupo Simoldes que se pretende com um investimento 18,26 milhões de euros, com uma comparticipação de 7,41 milhões promover “um fluxo optimizado de produto em células autónomas especializadas”.

Mas o incentivo mais avultado concedido em março foi para o Turismo de Portugal (12,49 milhões de euros). Em causa está um investimento de 16,71 milhões de euros para “desenvolver um projeto de promoção internacional integrada de Portugal enquanto destino turístico, constituindo-se como o elemento agregador de várias ações dinamizadas nos mercados-alvo externos no âmbito da promoção turística”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Inovar com batatas. O Portugal 2020 ajuda

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião