Passos: Esquerda “quer deitar mãos às reservas do Banco de Portugal”

O líder do PSD já reagiu ao relatório sobre dívida pública que foi apresentado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda.

“Há uma intenção clara do Governo” de “deitar a mão” ao “dinheiro que está no Banco de Portugal, como medida extraordinária para ajudar a compor os números do défice”. É desta forma que Pedro Passos Coelho reage ao relatório sobre dívida pública que foi apresentado pelo PS pelo Bloco de Esquerda.

O líder do PSD vê com bons olhos o facto de o relatório excluir uma reestruturação da dívida mas critica as sugestões “para políticas de curto prazo”. Excluindo uma, essas políticas são erradas ou perigosas, nota. A exceção é “pagar mais depressa ao Fundo Monetário Internacional”, diz Passos, mostrando “pena” por o Governo ter abrandado o ritmo de pagamento de empréstimos, já que isso implicaria uma poupança nos juros.

O que é então errado? “Encurtar os prazos de emissão de dívida, como é proposto, isso é normalmente o que fazem os credores com pior qualidade e foi o que aconteceu a Portugal até 2011”, salientou.

E o que é perigoso? “É ir simplesmente deitar a mão às reservas do Banco de Portugal que já se percebeu é isso que o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda querem“, notou Passos Coelho, dizendo que talvez se perceba agora melhor a “guerra” contra o governador do Banco de Portugal. “Há uma intenção clara do Governo poder deitar a mão às reservas, ao dinheiro que está no Banco de Portugal para, como medida extraordinária ajudar a compor os números do défice”.

Em declarações transmitidas pelas televisões, o líder do PSD começa por dizer que “adorava” que o país tivesse uma dívida “mais baixa”, ou seja, “que no passado, não se tivesse contraído tanta dívida de forma irresponsável”. Rejeitando responsabilidades do seu Governo — “não fui eu que o fiz”, afirmou — Passos adiantou que é agora necessário “responder a essa dívida”.

“O que se passou nestes anos, no essencial, resultou de responsabilidades que foram contraídas pelo país e até numa altura anterior ao meu Governo”, vincou, apontando o dedo ao “Governo anterior, que pediu o resgate”.

Redução do desemprego não se deve apenas a este Governo, diz Passos

Também hoje foram conhecidos dados do desemprego, que apontam para uma nova redução da taxa, mas Passos Coelho salientou que esta evolução positiva “não é um mérito particular deste Governo”. O recuo do desemprego “deve-se em grande medida às reformas estruturais” do Executivo PSD/CDS, também ao nível do mercado de trabalho, notou.

O líder do maior partido da oposição indicou ainda que a maioria dos novos empregos são “não precários” e afirma que isso se deve “indubitavelmente” à reforma anterior das leis laborais. E é por isso que o atual Governo não reverte estas reformas em concreto, defendeu Passos.

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