França: Como se preparam os candidatos para o derradeiro debate?

  • Marta Santos Silva
  • 3 Maio 2017

Macron tem ajuda de um barítono de ópera para controlar respirações e silêncios, mas o mais importante, diz um antigo conselheiro de Sarkozy, é tomar o tempo necessário para "trabalhar a forma".

É o primeiro e último debate a pôr frente a frente Emmanuel Macron, que fundou o movimento En Marche há pouco mais de um ano para se lançar numa corrida à presidência que muitos consideraram improvável, e Marine Le Pen, líder e herdeira do partido de extrema-direita Frente Nacional. No domingo, a segunda volta das eleições decide quem será o próximo presidente francês, e o debate desta noite, a começar às 21:20 francesas, terá certamente um papel para convencer os indecisos cujos votos ainda estão em jogo. Como é que um político se prepara para um debate assim?

À rádio France Info, o antigo conselheiro de comunicação de Nicolas Sarkozy explicou que o mais importante é preparar-se conscientemente. “Preparação difícil, guerra fácil”, explicou Franck Louvrier. O atual presidente da Publicis Events explicou que, quando praticou com o antigo presidente para os debates anteriores à eleição, essa demorava quase metade de um dia. “É uma preparação que já dura há muito tempo”, por isso o que se trabalha nas poucas horas anteriores não é o conhecimento, “vai trabalhar-se a forma”, explica.

Daí Emmanuel Macron estar a receber ajuda do baixo-barítono Jean-Philippe Lafont, cantor de ópera, que lhe ensinou truques de dicção e pronúncia para os discursos e lhe deu também conselhos para o debate. “Disse-lhe para não se agitar demasiado e não mexer muito as mãos”, afirmou o barítono ao jornal Les Échos, para não dar a entender desconforto ao público ou aos adversários. Deve respirar pelo nariz para que não se ouça a respiração nos microfones e beber água, mas não demasiada. Pormenores de forma que, se respeitados, ajudarão o candidato que já está à frente nas sondagens há semanas a sair vencedor do debate.

No entanto, a discussão afigura-se difícil e poderá mesmo acabar mais cedo. De acordo com a jornalista política Camille Lnglade da BFM TV, Emmanuel Macron estará disposto a abandonar o debate “ao fim de meia hora” se for transformado em “saco de pancada” de Marine Le Pen. A estratégia da candidata da Frente Nacional envolve, agora, demonizar Emmanuel Macron como um banqueiro que vai combater os trabalhadores — para afastar os eleitores de esquerda — e como um europeísta demasiado ingénuo — para afastar os conservadores. Mas Macron não se quer prestar a ataques pessoais.

Marine Le Pen já respondeu a essa informação, com um tweet que é nele próprio um ataque: “Se o Sr. Macron não se sentir à vontade, pode pedir a François Hollande que lhe venha segurar na mão, e eu não me oporei”.

O debate é de grande significado para Marine Le Pen, afinal. É a primeira vez na história que um candidato da Frente Nacional chega a este debate frente-a-frente antes da eleição presidencial já que, relembra o Le Figaro, Jacques Chirac recusou defrontar Jean-Marie Le Pen, pai da atual candidata, antes das eleições de 2012, “para não lhe dar tanta exposição”. Mas desta vez a filha Le Pen terá esse holofote. Como o enfrentará?

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