Montepio corta custos e passa de prejuízos a lucros

  • Rita Atalaia
  • 9 Maio 2017

O banco liderado por Félix Morgado revelou lucros de mais de 11 milhões de euros nos primeiros três meses deste ano. Uma recuperação face aos prejuízos de quase 20 milhões no período homólogo.

A Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) regressou aos lucros no primeiro trimestre deste ano. O banco liderado por Félix Morgado registou um lucro de mais de 11 milhões de euros, depois de ter apresentado um resultado negativo no mesmo período do ano passado. Esta recuperação deve-se, sobretudo, à redução dos custos e ao aumento da margem financeira.

“O resultado líquido melhorou em 30,9 milhões de euros, para 11,1 milhões de euros, assente na recuperação dos resultados do negócio core e na melhoria da eficiência da estrutura operacional”, lê-se no comunicado enviado pelo Montepio .No primeiro trimestre de 2016, o banco registou um prejuízo de 19,8 milhões.

O banco apresenta três motivos fundamentais para este regresso aos lucros: aumento das poupanças de custos, melhoria da margem financeira e crescimento dos proveitos complementares de crédito, designadamente nas comissões líquidas. Desde dezembro do ano passado, o Montepio duplicou as comissões associadas ao crédito à habitação. Os encargos dos clientes estão agora perto dos quatro euros por mês. Neste sentido, as comissões líquidas subiram 23,7% para 26,1 milhões de euros, “beneficiando da maior dinâmica de negócio”.

"O resultado líquido melhorou em 30,9 milhões de euros, para 11,1 milhões de euros, assente na recuperação dos resultados do negócio core e na melhoria da eficiência da estrutura operativa.”

Montepio

A margem financeira aumentou 35,6% para 18,7 milhões. “Para este desempenho contribuiu a redução dos custos de financiamento”, refere o banco. Mas a redução dos custos também contribuiu para este resultado. “Os custos operacionais do primeiro trimestre de 2017 evidenciam uma redução homóloga de 19,3%, tendo atingido 67 milhões de euros, para o qual contribuiu a conclusão” da reestruturação, refere o Montepio. Excluindo os impactos associados ao programa de reestruturação no primeiro trimestre de 2016, a diminuição seria de 9,3%.

Os resultados de operações financeiras também se destacaram pela positiva. Esta rubrica regressou igualmente para o verde, com ganhos de 7,5 milhões de euros, em comparação com uma perda de 4,8 milhões de euros, “os quais incorporaram a realização de mais-valias na carteira de dívida soberana e ganhos na carteira de negociação”, explica a instituição liderada por Félix Morgado. Por outro lado, o produto bancário cresceu 22,7% nos primeiros três meses do ano, “sustentado pelo desempenho positivo da margem financeira comercial”.

Olhando para os rácios de capital, houve um agravamento da posição de capital. O rácio CET1, faseado, situou-se nos 10,2%. No primeiro trimestre de 2016, este rácio era de 10,4%. Esta diminuição traduz “o efeito agrupado da descida dos ativos ponderados pelo risco”. O banco realça que os rácios de capital não incluem os efeitos positivos associados à adesão ao regime dos Ativos por Impostos Diferidos.

Os resultados são apresentados no mesmo dia em que os associados da Associação Mutualista Montepio Geral decidem sobre a passagem do banco Montepio a sociedade anónima. Na prática, quem detém unidades de participação passará a ter em carteira ações do banco liderado por Félix Morgado, caso esta mudança seja aprovada. Esta alteração já teve luz verde na assembleia-geral do banco, assim como os novos estatutos, e falta agora a ratificação dos associados da casa-mãe para concluir o processo.

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