Lítio português atrai empresa britânica

Portugal é um dos principais exportadores de lítio a nível mundial, mas a ambição de uma empresa britânica é fazer de Portugal o principal fornecedor de lítio na Europa.

Os projetos de lítio no norte de Portugal atraíram a atenção da Savannah Resources, que comprou a Slipstream Resources Investments para ficar com os direitos de exploração. Ao todo são quatro zonas que passam a ser exploradas pela empresa britânica para a prospeção de lítio, o ‘ouro’ português que tem atraído vários investidores e até chegou à Tesla. Sendo o país um dos poucos exportadores deste mineral metálico, a Savannah quer aproveitar esta “oportunidade estratégia para se tornar a primeira produtora de lítio significativa na Europa”.

Portugal junta-se assim ao conjunto de países onde a empresa britânica já investiu, nomeadamente a Finlândia, Moçambique e um pequeno país do Médio Oriente, Omã. O alcance desse objetivo passa pela Mina do Barroso, em Trás-os-Montes. Esta é via rápida que a Savannah Resources quer apanhar para impulsionar o seu negócio do lítio, contando já com um plano de exploração aprovado, um estudo de impacte ambiente e uma licença de concessão por 30 anos.

[Esta é uma] oportunidade única de assegurar o que acreditámos ser uma das mais avançadas concessões de exploração mineira de lítio na Europa.

David Archer

CEO da Savannah

Do papel para a produção será um ápice, estima a Savannah. “Esta transação permite à Savannah ter uma oportunidade única de assegurar o que acreditámos ser uma das mais avançadas concessões de exploração mineira de lítio na Europa, num ambiente de baixos custos e estabilidade política”, afirmou o presidente-executivo, David Archer, referindo que este passo será transformador para a indústria europeia de baterias de lítio de qualidade. A empresa estima que neste momento a Europa consuma, através de importações, 25% do lítio existente no mundo.

Além da Mina do Barroso, a Savannah Resources adquiriu um portefólio mais alargado de potenciais locais de extração de lítio menos avançados, uma vez que existem nove licenças de exploração pendentes. No total são 1.018 quilómetros quadrados de área para explorar o minério tão desejado para baterias de telemóveis, mas principalmente de automóveis elétricos. A Mina do Barroso faz parte do projeto Covas do Barroso ao qual se juntam os projetos de Serra D’Arga, Barca D’Arga e Tâmega.

Esta semana, o jornal Público avançou com algumas das ideias que estão a ser estudadas pelo grupo de trabalho criado pelo Governo. Uma dessas sugestões é implementar uma unidade experimental minero-metalúrgica, onde sejam testadas tecnologias e se evolua em termos de conhecimento. Ou seja, um cluster. O desafio agora é encontrar um processo rentável de transformação do lítio que permita a pureza de 99,5% necessária para a construção de baterias de veículos elétricos.

Este ano o Governo já recebeu 30 requerimentos de exploração do lítio como substância mineral principal, mas se contarmos com pedidos para prospeção e pesquisa, o número de pedidos ascende 46 pedidos. As regiões ricas em lítio vão desde Caminha, Alto Minho, Idanha-a-Nova à Beira-Baixa.

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