Passos teme mais cortes nas despesas correntes da saúde

Passos Coelho disse esta terça-feira que "quando certo tipo de investimento não é feito, é muito difícil que as pessoas não sintam isso no dia-a-dia", referindo ao setor da saúde.

O ex-primeiro-ministro afirmou esta terça-feira, em visita ao Hospital de Faro, que se o Governo não vai cortar no investimento público para cumprir o défice de 2017, há a possibilidade de vir a cortar a despesa corrente, nomeadamente na área da saúde. Acompanhado por deputados do PSD, Pedro Passos Coelho defendeu que essa despesa ao nível dos serviços correntes “não são coisas que podem ficar à espera”. O líder da oposição criticou o Governo por fazer cortes em “circunstâncias de maior normalidade como aquela que vivemos hoje”.

O atual Executivo acertou numa coisa para Passos Coelho: cumpriu a meta do défice. “É importante para o país, não me canso de dizê-lo”, admitiu esta terça-feira, em declarações ouvidas através da SIC Notícias. Contudo, o líder do PSD alertou que, se o Governo não fizer corte no investimento público para alcançar a meta orçamental — tal como fez em 2016 –, pode vir a fazê-lo ao nível dos serviços correntes, com especial incidência no setor da saúde.

“Se o Governo quiser cumprir a meta do défice — e espero que a possa cumprir — e os resultados de execução orçamental seguirem o mesmo padrão do ano passado — e até à data há sinais de que isso pode acontecer — então o Governo vai ter de ajustar de outra maneira“, afirmou Passos Coelho. O líder dos sociais-democratas teme que esse corte seja feito na despesa corrente. À saída de uma reunião de três horas com a administração do Hospital de Faro, acompanhado por uma comitiva social-democrata, Pedro Passos Coelho argumentou que essa despesa “é serviço, não são coisas que podem ficar à espera”.

Passos Coelho considerou que “quando certo tipo de investimento não é feito, é muito difícil que as pessoas não sintam isso no dia-a-dia”, referindo-se a exemplos como o tempo de espera nos hospitais. Além disso, o líder da oposição disse existirem custos acrescidos com a reversão do horário de trabalho semanal de 40 para 35 horas. “Quando não há dinheiro para as pagar, contrata-se um serviço externo mais e fica-se a dever“, acusou, aumentando a dívida para fazer um serviço.

Confrontado com os cortes que executou no setor da saúde e no menor investimento feito entre 2011 e 2015, Passos Coelho admitiu que na altura não existia dinheiro para o fazer. “Canalizámos os recursos que tínhamos para melhorar os serviços“, justificou-se.

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