Fed sobe taxa de juro pela segunda vez este ano

A Reserva Federal norte-americana decidiu aumentar a taxa de juro diretora pela segunda vez este ano. Intervalo passa a ser de 1% a 1,25%, subindo 25 pontos base.

No final de maio, as minutas da Fed apontavam para uma subida da taxa de juro. Esta quarta-feira, a indicação concretizou-se: Janet Yellen decidiu aumentar a taxa de juro, subindo do intervalo entre 0,75% e 1% para um intervalo entre 1% e 1,25%. A última subida tinha sido em março, altura em que a Reserva Federal norte-americana deu sinal de ainda restarem duas subidas da taxa diretora em 2017. Yellen deu mais pormenores sobre como irá diminuir o nível de dívida que comprou.

Nas minutas reveladas no final do mês passado, os responsáveis da Fed assinalavam que a economia norte-americana tinha abrandado, mas que esta era uma fase “transitória”. Nos documentos pode-se ler que os governadores dizem que “seria apropriado, em breve”, apertar a política monetária expansionista ainda mais, em linha com o que a Fed tem vindo a fazer desde dezembro de 2015. O Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) concretizou esta profecia com um voto quase unânime na reunião desta terça e quarta-feira.

Além disso, o banco central norte-americana revelou que irá cortar o seu balanço já este ano, depois das intensas compras entre 2007 e 2009 por causa da crise financeira. “Atualmente o comité espera começar a implementar o programa de normalização da folha de balanço este ano, uma vez que a economia tem evoluído amplamente como previsto”, lê-se no comunicado da Fed, referindo que o fará pondo um travão nos reinvestimentos em títulos de dívida que estejam a vencer. A ideia é começar a diminuição por introduzir um limite de reinvestimento de seis mil milhões de dólares por mês, aumentando progressivamente até atingir a meta de 30 mil milhões de dólares por mês.

Na prática, o banco central está a apertar a sua política monetária ao aumentar a taxa que serve de base para todas as transações financeiras, incluindo os empréstimos dos bancos às famílias e empresas. Mas fá-lo numa altura em que a economia apresenta sinais suficientemente robustos para absorver o impacto de o dinheiro ficar mais caro. É a terceira vez que a Fed aumenta a taxa de juro desde que Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos.

No início deste mês a taxa de desemprego dos Estados Unidos atingiu um mínimo de 16 anos, mostrando que a economia norte-americana está praticamente com emprego pleno. Além disso, o crescimento económico no primeiro trimestre foi revisto em alta para os 1,2% — quando a anterior estimativa apontava para 0,7% — apesar de continuar a representar um abrandamento em relação aos 2,1% registados no quarto trimestre de 2016. Já a inflação continua aquém do objetivo, mas os governadores estão confiantes na sua evolução.

Além do aumento da taxa de juro, a Reserva Federal norte-americana quer diminuir o seu balanço de 4,5 biliões de dólares. A ideia é que à medida que vai aumentando a taxa de juro, a Fed deixe de injetar tanto dinheiro na economia. Já em reuniões anteriores existia concordância numa mudança na política de reinvestimento em dezembro. Uma das opções passará por deixar de reinvestir o dinheiro obtido com as amortizações de obrigações.

“A atividade económica tem avançado moderadamente desde o início do ano até agora”, resumiu a Fed. O banco central também anunciou que poderá iniciar “este ano” uma redução do seu elevado balanço, começando a vender os ativos que adquiriu desde a crise financeira de 2008 para baixar as taxas a longo prazo e facilitar o crédito.

Após a reunião, a Fed divulgou novas previsões económicas e mostrou-se mais otimista quanto ao crescimento e emprego em 2017. O Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano deve avançar 2,2% durante este ano, uma subida de uma décima em relação às previsões divulgadas em março.

O banco central deixou inalterada a previsão para o próximo ano (2,1%) e prevê uma desaceleração para 1,8% a longo prazo, longe dos 3% de crescimento anual prometidos pela administração Trump. No primeiro trimestre, a economia norte-americana avançou 1,2%, um abrandamento em relação ao quarto trimestre de 2016.

Mais otimismo

O banco central norte-americano reviu hoje em alta a sua previsão de crescimento económico nos Estados Unidos para este ano e mostrou-se mais otimista também quanto ao emprego. O Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano deve avançar 2,2% durante este ano, ou seja uma subida de uma décima em relação às previsões divulgadas em março, de acordo com as novas projeções do comité de política monetária da Reserva Federal (Fed).

O banco deixou inalterada a previsão para o próximo ano (2,1%) e prevê uma desaceleração para 1,8% a longo prazo, longe dos 3% de crescimento anual prometidos pela administração Trump. No primeiro trimestre, a economia norte-americana avançou 1,2%, um abrandamento em relação ao quarto trimestre de 2016.

Quanto ao emprego, o banco central dá sinais de otimismo e aponta para uma taxa de desemprego de 4,3% em 2017, menos duas décimas do que indicavam as previsões de março. Em 2018, a taxa de desemprego esperada é de 4,2% (4,5% na previsão de março).

Em maio a taxa de desemprego nos Estados Unidos caiu para 4,3%, o nível mais baixo em 16 anos. A Fed reviu em baixa as previsões para a inflação e aponta agora para 1,6% este ano, contra 1,9% em março. O objetivo do banco central norte-americano é uma subida dos preços de cerca de 2% ao ano, uma meta que não será atingida antes de 2018, de acordo com as novas previsões.

(Atualizado às 19h48)

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