Moreira responde a Costa: O Porto nunca foi ouvido

  • Lusa e ECO
  • 15 Junho 2017

António Costa garante que defendeu o Porto para receber a Agência Europeia do Medicamento, mas a comissão de avaliação da candidatura de Portugal escolheu Lisboa. Moreira desconfia das explicações.

Rui Moreira mostra-se surpreendido com as novas explicações do primeiro-ministro, António Costa, sobre a escolha de Lisboa para a Agência Europeia do Medicamento. Uma fonte oficial do gabinete do primeiro-ministro garantiu à Agência Lusa que Costa defendeu, até ao “último momento possível”, a candidatura do Porto, mas a comissão de avaliação nomeada pelo Governo concluiu que Lisboa oferecia maiores garantias de êxito na corrida.

“As únicas razões invocadas pelo senhor primeiro-ministro, em carta que recebi a 11 de junho são a localização do Infarmed em Lisboa e a futura criação de uma escola europeia. Nenhum destes argumentos é agora citado pelo Gabinete do Senhor Primeiro-Ministro”, escreve o presidente da Câmara do Porto, no site www.porto.pt. E acrescenta: “Quanto aos novos argumentos, informamos que nunca, nem a Câmara do Porto, nem o seu Gabinete de Investimento Invest Porto foram contactados ou convidados a contribuir com qualquer informação técnica ou outra para esta comissão ou para qualquer outra avaliação”.

De acordo com a mesma fonte do executivo, o primeiro-ministro teve de mudar a sua posição depois de a comissão da candidatura portuguesa se ter deslocado ao Reino Unido, onde analisou na sede da própria agência as condições base de sucesso para uma corrida que está a ser disputada por cerca de 20 cidades europeias.

Essas condições de base, todas elas cumulativas, passam pela existência de fáceis ligações aéreas para os cerca de oito mil funcionários da Agência Europeia do Medicamento, por haver escolas para os filhos desses mesmos funcionários e, finalmente, pela disponibilização imediata de uma lista de edifícios para num deles se instalar a sede da agência, logo depois de esta sair de Londres.

“Foi explicado ao primeiro-ministro que Lisboa oferecia melhores garantias de segurança do que o Porto e que a opção pela capital portuguesa era a única que reunia condições mínimas de êxito da candidatura”, salientou a mesma fonte do Governo.

Perante estas explicações oficiais, Rui Moreira aumenta o tom da resposta, em três pontos:

  1. O Porto tem um excelente aeroporto internacional, não congestionado, com boas ligações à Europa, em alguns casos, melhores até do que Lisboa, como é o caso de França.
  2. O Porto tem escolas de língua estrangeira oficiais e privadas em alemão, inglês e francês.
  3. Não conhecemos qualquer avaliação que a dita comissão tenha feita acerca do edificado público e privado da cidade do Porto. Com a Câmara nunca falou, nem sequer através do Portugal IN, instrumento criado pelo próprio Governo para apoiar a atração de investimentos localizados no Reino Unido.

Mais, o presidente da Câmara do Porto lembra que “a Comissão que, agora, o Gabinete do primeiro-ministro menciona e que, segundo o mesmo, se terá deslocado a Londres e aí concluído que o Porto não seria a localização mais segura para a candidatura portuguesa à EMA, chama-se “Comissão de Candidatura Nacional para a instalação da Agência Europeia do Medicamento na cidade de Lisboa”.

Apesar destas declarações, atribuídas a fonte oficial do gabinete do primeiro-ministro, no último dia de visita oficial ao Chile, António Costa, em declarações aos jornalistas, remeteu para mais tarde esclarecimentos sobre esta polémica.

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