Portugal vai reembolsar mais mil milhões ao FMI este mês

Mário Centeno revelou que assim que obtiver a autorização, vai fazer um novo pagamento antecipado ao FMI. Prevê reembolsar mais mil milhões no final deste mês.

Portugal vai voltar a reembolsar antecipadamente a dívida junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), revelou Mário Centeno. O ministro das Finanças prevê pagar mais mil milhões de euros até ao final deste mês, assim que obtiver a autorização por parte dos seus parceiros da zona euro para um programa de amortização antes do prazo, no valor de quase dez mil milhões de euros.

“Vamos começar em breve [a reembolsar antecipadamente ao FMI], tão breve quanto tenhamos uma autorização formal por parte das instituições europeias, e até ao final do mês estamos em condições para devolver mais de mil milhões de euros“, disse Centeno numa entrevista concedida à Bloomberg TV.

Portugal tem vindo a reembolsar mais rapidamente do que o previsto os empréstimos obtidos juntos do FMI na altura do resgate. Os juros elevados cobrados pelo fundo liderado por Christine Lagarde explicam esta estratégia que tem sido aplaudida pelos responsáveis europeus, entre eles Wolfgang Schäuble.

“Enviei o pedido de Portugal ao parlamento alemão, que tem de o aprovar, mas estou certo de que não haverá nenhum problema. Isto demonstra que o programa de [assistência a] Portugal é uma história de sucesso”, afirmou Schäuble.

A 23 de maio passado, em Bruxelas, o Governo português pediu autorização aos seus parceiros europeus para pagar antecipadamente ao FMI cerca de dez mil milhões de euros dos empréstimos concedidos durante o programa de assistência financeira, o que será apreciado pelo Conselho Ecofin na reunião desta sexta-feira que deverá confirmar também a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo (PDE).

O pagamento antecipado de empréstimos do FMI necessita do aval dos Estados-membros (em sede do Mecanismo Europeu de Estabilidade), pois têm de aceitar renunciar a uma cláusula nos contratos de empréstimos concedidos no quadro do programa de assistência financeira, que prevê que reembolsos antecipados tenham de ser proporcionais entre todos os credores (e Portugal só tenciona, mais uma vez, pagar mais cedo os empréstimos do FMI).

(Notícia atualizada às 9h56 com declarações de Mário Centeno à Bloomberg TV)

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