Portugal paga menos de 3% pela dívida a dez anos

Portugal voltou aos mercados numa altura em que os juros estão em mínimos. E tirou partido deste bom momento, conseguindo 1.250 milhões de euros com taxas mais reduzidas face aos últimos leilões.

Portugal conseguiu juros mais baixos no duplo leilão de dívida de longo prazo. Colocou 1.250 milhões de euros em obrigações do Tesouro a cinco e a dez anos, beneficiando da queda das taxas nos mercados para se financiar com um juro de menos de 3% no prazo mais longo. É o mais baixo desde o final de 2015.

O IGCP colocou 500 milhões de euros a cinco anos, deixando a maior “fatia” para o prazo mais longo, a dez anos. No total, a agência liderada por Cristina Casalinho obteve 1.250 milhões de euros com taxas mais reduzidas face ao duplo leilão idêntico realizado em maio. A taxa a cinco anos foi de 1,1982%, já no prazo a dez anos caiu para 2,851%.

Em maio, Portugal tinha pago uma taxa de 1,828% no prazo a cinco anos, enquanto a dez anos a taxa tinha ficado em 3,39%, uma queda face aos mais de 4% pagos na única emissão a dez anos feita até então, sendo que essa foi uma operação com recurso a um sindicato bancário realizada logo no arranque deste ano. A taxa obtida agora a dez anos foi a mais baixa desde o leilão de novembro de 2015.

A redução expressiva nas taxas registadas em ambas as maturidades reflete a tendência de queda dos juros da dívida nos mercados internacionais — a taxa a dez anos está em mínimo de dez meses. A taxa a dez anos tem vindo a reduzir-se significativamente perante os cada vez mais frequentes indicadores positivos da economia nacional, isto numa altura em que foi proposta a saída de Portugal do Procedimento por Défices Excessivos (PDE).

Apesar dos bons sinais, Portugal continua a ser “lixo” para as principais agências de notação financeira. No final da semana, a Fitch volta a atualizar a notação da dívida portuguesa. A estabilidade do outlook não deixa grande margem para uma subida do rating do nível atual de “BB+”, considerado investimento especulativo. Isto apesar dos vários apelos, tanto nacionais como internacionais, para uma melhoria da notação do país.

(Notícia atualizada com mais informação sobre a emissão de dívida)

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