“Governo está mais preocupado em salvar a pele”

  • ECO
  • 25 Junho 2017

Marques Mendes é muito crítico sobre o papel do Governo no caso dos incêndios de Pedrógão Grande. Diz que o Executivo “está mais preocupado em salvar a pele”.

No seu comentário semanal na SIC, Marques Mendes afirmou que é “inevitável” haver consequências políticas no caso dos incêndios de Pedrógão Grande que vitimaram 64 pessoas: “Acho impossível não haver consequências políticas”.

Este domingo, em entrevista ao Diário de Notícias e à TSF, a ministra da Administração Interna disse que tirará “as devidas ilações” caso a comissão de peritos independentes conclua que houve falha dos serviços que tutela.

Tiraremos as devidas ilações e eu tirarei naturalmente as devidas ilações. Agora, neste momento, eu acho que é muito prematuro estar aqui a seguir pelo caminho que é fácil, era o caminho mais fácil a seguir, ia satisfazer uma certa apetência que alguns têm pelo sangue, se quisermos. Mas ia resolver algum problema?”, questiona Constança Urbano de Sousa.

Marques Mendes aponta já algumas falhas, nomeadamente o “intervalo de cinco horas em que não encerraram as estradas” e as falhas no “sistema de comunicações SIRESP”.

E questiona ainda a ausência imediata de uma comissão no terreno a investigar o que aconteceu: “o incêndio foi há uma semana. Ainda não há uma comissão no terreno a investigar. Há uma semana!

Sobre o papel do Governo, diz que “dá a sensação que tem medo ou está mais preocupado em salvar a pele”, acrescentando que já houve quatro entrevistas de membros do Governo, incluindo do próprio primeiro-ministro. “Parece que a imagem conta mais do que a verdade”, afirma o comentador.

Marques Mendes defende ainda que o “Governo leva uma pantufada no seu estado de graça. Os portugueses vão ser menos tolerantes. As pessoas perceberam que houve falhas e negligências por parte do Estado. O Governo foi rápido a aparecer quando as coisas correram bem e demora quando as coisas correm mal”.

Mesmo assim diz que “o Governo esteve bem. Onde esteve mal foram as muitas entrevistas e preocupação excessiva com a imagem”.

Mendes é a favor de uma comissão de investigação independente — “uma boia que o PSD lançou ao Governo” — mas é contra a existência de uma comissão parlamentar de inquérito no Parlamento por temer a partidarização do assunto e termina a defender que “o Governo e todos os partidos deveriam pedir desculpas aos portugueses. Todos sem exceção”.

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