Investidor ativista entra na Nestlé. E já pede a venda da L’Oréal

  • Juliana Nogueira Santos
  • 26 Junho 2017

Daniel Loeb tem uma posição de 1,3% na empresa alimentar, mas exige uma reforma estrutural do modelo de negócio, começando pela quantidade de marcas em portefólio.

O investidor norte-americano Daniel Loeb revelou que o seu fundo de investimento, a Third Point, detém cerca de 1,3% do capital da Nestlé. Este anúncio poderia nem sequer ter sido feito, visto ser um participação tão pequena numa das maiores produtoras alimentares do mundo. Contudo, como investidor ativista que é, Loeb quer ter uma palavra a dizer no modelo de negócio da empresa. E já disse…

Assim que a posição foi divulgada, a Third Point recomendou aos acionistas da Nestlé que a posição na marca de cosméticos L’Oreal fosse vendida, justificando isto com a necessidade de melhorar margens e de abandonar negócios fora do seu âmbito principal. “É difícil encontrar um negócio com a qualidade da Nestlé com tantos caminhos de melhoria”, afirma o fundo em comunicado.

Esta posição na Nestlé, que valerá cerca de 3,4 mil milhões de euros, será um dos maiores investimentos do empresário que já conta com 20 anos de experiência. A Bloomberg prevê que a pressão de Loeb chegue ao presidente executivo da Nestlé, Mark Schneider, que divulgou um crescimento anual em 2016 bem mais lento do que o que tinha sido registado na passada década.

A Nestlé conta com um portefólio de mais de 2.000 marcas, desde café, passando por chocolates e culminando em comidas de bebé. Para o Third Point, a empresa tem de rever esta lista tão extensa para reduzir a exposição às marcas menos lucrativas.

Bonita mas dispensável

Ainda que a posição de 23,2% da Nestlé na empresa de cosméticos francesa tenha um valor de cerca de 27 mil milhões de dólares, de acordo com dados da Bloomberg, o afastamento desta do negócio principal, a alimentação, poderá ser uma fraqueza a ser resolvida em nome do aumento de lucro.

“A posição na L’Oreal pode ser alienada através de uma oferta de troca pelas ações da Nestlé, o que vai acelerar os esforços para otimizar as políticas de retorno de capital, melhorando imediatamente o ROE [rentabilidade dos capitais próprios, um indicador que avalia a capacidade da empresa de gerar valor com recurso aos seus próprios recursos] e aumentando de forma significativa o valor das ações a longo prazo”, justificou o fundo do investimento de Daniel Loeb.

Ações ficam mais doces

Adivinhando mudanças na gestão da empresa alimentar, os investidores mostraram-se de acordo com as ideias avançadas pelo Third Point. As ações da Nestlé avançaram cerca de 5% para 85,95 francos suíços, sendo este o maior crescimento desde janeiro de 2015. Na bolsa de Paris, a cotação da L’Oreal avança 3,80% para 195,25 euros.

Apoie o jornalismo económico independente. Contribua

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso. O acesso às notícias do ECO é (ainda) livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo rigoroso e credível, mas não só. É continuar a informar apesar do confinamento, é continuar a escrutinar as decisões políticas quando tudo parece descontrolado.

Introduza um valor

Valor mínimo 5€. Após confirmação será gerada uma referência Multibanco.

Comentários ({{ total }})

Investidor ativista entra na Nestlé. E já pede a venda da L’Oréal

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião