Donald Trump Jr. e a Rússia: pelo Twitter morre o peixe

  • Juliana Nogueira Santos
  • 11 Julho 2017

O filho do Presidente dos EUA reuniu-se com um membro do Governo russo e usou o Twitter para se defender e afastar possíveis dúvidas. Mas o plano não está a correr como definido.

A suspeita foi lançada esta segunda-feira pelo The New York Times: Donald Trump Jr., o filho mais velho do Presidente dos EUA ter-se-ia reunido com uma advogada russa com ligações ao Kremelin, na Trump Tower, em junho do ano passado. Esta reunião, em plena campanha eleitoral, teria como objetivo obter informação comprometedora sobre Hillary Clinton que poderia ser utilizada pelo então candidato republicano.

Trump Jr., veio a público — como quem diz, escreveu no Twitter — defender-se, não a negar que essa reunião tenha acontecido, mas a constatar que ela existiu, mas que a advogada com a qual se encontrou, Natalia Veselnitskay, não tinha avançado nenhuma informação pertinente.

Um dia depois, e com a nuvem negra do conluio entre a campanha Trump e a Rússia a adensar-se, Donald Trump Jr. decidiu tornar públicos os emails que trocou para combinar esta reunião e divulgou-os através da sua conta oficial de Twitter, acompanhados de uma declaração. “Para todos, para ser totalmente transparente, divulgo toda a corrente de emails com Rob Goldstein acerca da reunião de 9 de junho de 2016,” pode ler-se nesta declaração.

O objetivo seria limpar todas as dúvidas que pudessem haver acerca da ligação desta reunião com as suspeitas de conluio, contudo o conteúdo dos emails está a ter o efeito contrário. Após análise, pode constatar-se que havia vontade de Trump Jr. de utilizar informações obtidas por outro país para influenciar a campanha, mesmo que isso não tenha vindo a acontecer. Além disso, já tinha sido afirmado por inúmeros membros da equipa de que não tinha havido contacto nenhum entre Trump e Putin.

O que têm de errado os emails?

O ponto de contacto entre o filho do candidato e a Rússia foi Rob Goldstone, um agente musical e ex-jornalista, que contactou Donald por email e afirmou que um dos seus clientes, Emin Agalarov, teria “alguns documentos e informações oficiais que iriam incriminar Hillary e os seus negócios na Rússia.”

Emin teria tido acesso à informação através do seu pai, Aras Agalarov, um magnata russo, e achava que seria “muito útil” para Donald Trump, pelo que. Goldstone alertou desde logo Trump Jr. para o facto de esta ser “informação sensível” e “parte do apoio do Governo [russo]” à candidatura do seu pai.

Cerca de 20 minutos depois Donald enviaria a resposta: “Obrigada Rob, agradeço. Estou na estrada neste momento, mas talvez pudesse falar com Emin primeiro. Parece que temos algum tempo e, se é o dizes, adoro, especialmente para o final do verão.”

Nos dias seguintes os dois continuam a trocar emails de forma a combinar o contacto entre o filho do candidato e o músico russo. Mais tarde, Rob afirma que vai marcar uma reunião entre Donald e um “advogado estatal russo”, que iria a Nova Iorque de propósito para tal. Quando questionado sobre a sua companhia na reunião, Trump Jr. avança os nomes de Paul Manafort, responsável pela campanha, e Jared Kushner, marido de Ivanka Trump. Depois alguns adiamentos, a reunião acaba por ficar marcada para as 16h00 do dia 9 de junho de 2016.

Daqui conclui-se que a campanha de Trump estaria em contacto com o Governo russo, estaria disposta a trabalhar com o mesmo para influenciar o processo e que a informação veiculada não só seria confidencial, como faria parte de um plano mais extenso de apoio do Executivo russo a Trump.

Donald Trump Jr. junta-se assim à lista de membros da campanha de Donald Trump que tiveram contacto com autoridades russas, contando esta com seis personalidades. Ainda assim, a Casa Branca tem negado insistentemente qualquer tipo de cooperação, declarando que a investigação do FBI a este assunto é uma “caça às bruxas”.

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