Suspeitas de cartel nos automóveis afundam bolsas na Europa

Volkswagen, Daimler e BMW. Os principais construtores automóveis alemães estão na mira das autoridades por suspeitas de conluio. Uma prática anticoncorrencial que terá mais de duas décadas.

Suspeitas de conluio entre os grandes fabricantes automóveis alemães estão a levar o setor a afundar em bolsa esta sexta-feira, arrastando os mercados acionistas do Velho Continente para perdas superiores a 1%.

As autoridades alemãs estão a investigar indícios de práticas anticoncorrenciais na Daimler (Mercedes) e Volkswagen. Os dois construtores informaram o regulador sobre décadas de conversações dentro do setor na Alemanha acerca da tecnologia automóvel, uma prática que pode violar as regras da concorrência, avançou a revista Der Spiegel, citando um documento que a Volkswagen apresentou em julho de 2016 e referindo outro que reportado pela Daimler. A BMW também estará envolvida.

Contactada, a autoridade da concorrência alemã não prestou qualquer declaração sobre as investigações que estão em curso, reafirmando que realizou buscas em seus fabricantes em junho de 2016 num caso sobre conluio nos preços do aço. Também a Volkswagen, Daimler e BMW rejeitaram comentar esta investigação, assim como a Comissão Europeia.

A reação dos investidores não se fez esperar, no entanto. As ações da Volkswagen tombam quase 5%. A Daimler e a BMW recuam para mínimos do último ano, com o receio do impacto desta investigação nos resultados dos fabricantes. Com estes desempenhos, o setor automóvel afunda 3%.

Setor automóvel afunda no Stoxx 600

Fonte: Bloomberg (valores em pontos)

Os automóveis estão no olho do furacão dos investidores. E levam os principais índices europeus a cederem quase 2%. O Dax-30 alemão e o Cac-40 de Paris, onde estão os principais fabricantes do setor, recuam ambos em torno de 1,8%. Com perdas menos intensas, Madrid e Milão perdem 1,14% e 1,4%, respetivamente. Já Lisboa escapa um pouco incólume a esta pressão vendedora, com o PSI-20 a cair 0,29% para 5.298,86 pontos.

“Estas suspeitas parecem muito graves e devem representar mais de 20 anos de potenciais práticas de conluio”, referiu Jürgen Pieper, analista da Bankhaus Metzler. “Parece uma história interminável de más notícias sobre o mau comportamento do setor automóvel”.

De acordo com a imprensa alemã, as marcas BMW, Daimler, Volkswagen (Audi e Porsche incluídas) terão começado estas conversas nos anos de 1990, no sentido de coordenarem atividades relacionadas com tecnologia, custos, fornecedores e estratégias, assim com controlo de emissões dos motores diesel. Estas discussões envolveram mais de 200 funcionários em 60 grupos de trabalho em áreas como o desenvolvimento automóvel, motor a gasolina e gasóleo, travões e transmissões.

"Estas suspeitas parecem muito graves e devem representar mais de 20 anos de potenciais práticas de conluio. Parece uma história interminável de más notícias sobre o mau comportamento do setor automóvel.”

Jürgen Pieper

Analista da Bankhaus Metzler.

Esta notícia surge num momento conturbado para o setor. A Audi e a Mercedes anunciaram esta semana que vão recolher os automóveis a diesel para atualizar o software de controlo de gases perante investigações de que ambas as marcas podem ter violado as regras.

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