Pasto, hortícolas e frutas mais afetados por seca, a seguir será vinha e olival

  • ECO
  • 24 Julho 2017

Representantes dos agricultores estão preocupados com a situação de seca que o país atravessa.

Todas as culturas estão já afetadas pela seca, principalmente pastagens, hortícolas e frutas sazonais, e, se não chover dentro de um mês, será também a vinha e o olival, defendeu a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Também o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) transmitiu preocupação com a falta de pasto e de água para os animais que já provocou perdas da totalidade da produção em algumas culturas.

“Estão já afetadas todas as culturas, especialmente as de primavera-verão, mas também as permanentes, como a fruta”, disse esta segunda-feira à agência Lusa João Dinis, da CNA, acrescentando que o interior é mais atingido. “Se continuar assim”, sem chuva, “mais um mês e a seca vai atingir também a vinha e o olival, apesar de atualmente estarem promissores”, adiantou ainda.

Quase no final de julho, o retrato que a CNA faz da situação de seca severa no território nacional, já reconhecida pelo Governo através de um despacho hoje publicado, reflete os problemas dos pastos e pastagens, que registam uma quebra de 80% relativamente ao “normal” para esta altura, produtos hortícolas criados ao ar livre e frutas sazonais, cuja produção pode descer para metade.

Também o presidente da CAP, citado pela Lusa, afirma que há “uma extraordinária preocupação e já existe prejuízo efetivo” devido ao decréscimo da produção e da qualidade, “com perdas que podem ir de 10% a 25% e, em algumas situações, pode ser 100%”, como no caso de alguns cereais que são utilizados para alimentar os animais, resumiu Eduardo Oliveira e Sousa.

No que respeita aos efeitos na produção animal, o presidente da CAP defendeu que “devia ser criada uma autorização especial” para os agricultores poderem conduzir os animais às barragens mais próximas para beber água, já que “uma situação de emergência requer medidas de emergência”. Realçou ainda que “há meses que há falta de pasto, secou com três meses de antecedência e os produtores, em vez de colherem os cereais, deram aos animais”, perdendo a totalidade destas culturas.

Também esta segunda-feira, a empresa gestora do Alqueva anunciou que vai facilitar o acesso de agricultores à água, nas infraestruturas do projeto, para abeberamento de gado e rega de emergência de culturas, devido à seca que afeta o Alentejo.

Num comunicado enviado à agência Lusa, a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) refere que se trata de uma das medidas que implementou para “auxílio aos agricultores no combate à seca climatérica”, que “também afeta a área de influência do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA)”.

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