Moody’s: vem aí mais crédito ao consumo

  • Margarida Peixoto
  • 25 Julho 2017

A agência de notação de rating diz que a performance do crédito ao consumo vai melhorar e que o interesse em conceder crédito é maior. Mas avisa que ainda há vulnerabilidades na banca.

Vem aí mais crédito ao consumo. Nos próximos 12 a 18 meses as instituições financeiras poderão esperar um retorno melhor deste tipo de operações e, por isso, a disponibilidade para emprestar será maior. A análise consta de um relatório da agência de notação financeira Moody’s, divulgado esta terça-feira.

“As instituições financeiras estão mais disponíveis para conceder crédito,” lê-se no relatório da Moody’s sobre a performance do crédito ao consumo, em Portugal. A agência — que ainda considera o investimento em Obrigações do Tesouro português como especulativo — explica que a recuperação da confiança dos consumidores deu um novo alento à concessão de crédito.

O próprio consumo privado recuperou, com a ajuda do aumento do salário mínimo, “que excedeu tanto a inflação, como a produtividade do trabalho”, lê-se no relatório. Aliás, conjugado com a reposição dos salários integrais na função pública, a subida do salário mínimo fez com que, pela primeira vez desde a crise financeira, os salários nominais tenham registado um crescimento positivo, nota a agência.

As instituições financeiras estão mais disponíveis para conceder crédito, com a recuperação na confiança dos consumidores.

Moody's

Cross-sector Portugal

São estes fatores, juntamente com uma melhoria do crescimento económico — “o PIB real deverá fortalecer-se no final de 2017,” antecipa a Moody’s — e com a redução do malparado nos empréstimos à habitação e ao consumo que fazem com que a performance deste tipo de produtos deva melhorar no curto prazo.

Mais: a Moody’s frisa que Portugal saiu do Procedimento por Défice Excessivo e que, nesta nova condição perante as autoridades comunitárias, poderá submeter um pedido para se desviar da consolidação orçamental e aplicar essa margem em reformas estruturais e investimento. “Se aplicadas, tais reformas podem suportar o crescimento,” defende a agência.

Por fim, a agência nota ainda como positiva a diversificação de financiamento verificada este ano e lembra o lançamento de dois produtos de securitização baseados em empréstimos ao consumo (o Ulisses Finance No.1, do 321 Crédito, e o Aqua Finance No. 4, do Montepio Crédito), bem como dois programas de emissão de obrigações, um do Santander Totta e outro do BCP.

Apesar das expectativas positivas, a agência deixa sinais de alerta. Desde logo, a melhoria do retorno do crédito ao consumo está a ser travada pelo desemprego de longa duração e pelo desemprego jovem. É verdade que a taxa de desemprego total ficou em abril muito abaixo do máximo histórico atingido durante a crise (9,5%, contra 16,9% no início de 2013). Mas o peso dos desempregados de longa duração (52% do total) ainda preocupa, bem como o dos desempregados jovens (24% do total).

Vulnerabilidades do financiamento da banca mantêm-se

Ainda assim, a Moody’s avisa que a banca portuguesa continua a demonstrar vulnerabilidades no acesso ao financiamento interbancário. A agência sublinha que “a diminuição dos balanços [dos bancos] e a resiliência dos depósitos resultaram numa redução de 107% do gap comercial (a diferença entre empréstimos e depósitos) entre junho de 2010 e dezembro de 2016.”

Continuamos preocupados com o risco de que alguns bancos portugueses possam ter um acesso restrito, ou enfrentem custos muito elevados, no recurso ao mercado interbancário, em caso de necessidade.

Moody's

Cross-sector Portugal

Contudo, o alerta sobre o acesso a financiamento mantém-se: “Continuamos preocupados com o risco de que alguns bancos portugueses possam ter um acesso restrito, ou enfrentem custos muito elevados, no recurso ao mercado interbancário, em caso de necessidade,” lê-se no documento.

A justificar esta vulnerabilidade estão vários fatores: os seus fundamentais ainda estão fracos, os maiores bancos do país ainda enfrentam desafios — como é o caso da Caixa Geral de Depósitos — e persiste volatilidade nos mercados por razões “sistémicas e exógenas”. A Moody’s dá como exemplo a transferência de obrigações séniores do Novo Banco para o Banco Espírito Santo, que “expôs os obrigacionistas a perdas significativas.” As obrigações em causa estavam avaliadas em 2,2 mil milhões de euros.

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