Concorrência europeia ataca mega negócio da Bayer

  • Lusa e ECO
  • 22 Agosto 2017

A Comissão Europeia receia uma redução da concorrência em diferentes mercados na sequência da aquisição da Monsanto, uma produtora de sementes geneticamente modificadas, pela Bayer.

A Comissão Europeia anunciou esta terça-feira a abertura de uma investigação aprofundada sobre a compra da norte-americana Monsanto, produtora de sementes geneticamente modificadas (OGM), pelo grupo farmacêutico e agroquímico alemão Bayer. A decisão será conhecida até ao dia 8 de janeiro do próximo ano.

O executivo europeu refere “preocupações preliminares” relacionadas com a possibilidade de a aquisição “poder reduzir a concorrência em diferentes mercados, levando a preços mais altos, menos qualidade, menos escolha e menos inovação“. A investigação de mercado inicial identificou preocupações nomeadamente nas áreas dos pesticidas e das sementes. O projeto de aquisição da Monsanto pela Bayer, uma operação no valor de 66 mil milhões de dólares (cerca de 56 mil milhões de euros), anunciada em setembro de 2016, “levará à criação da mais importante empresa integrada mundial nos setores dos pesticidas e das sementes”, realça a Comissão.

Por outro lado, acrescenta, a operação iria ocorrer em áreas de atividade “já concentradas a nível mundial”. A Comissão foi notificada sobre esta aquisição em 30 de junho, e tem agora 90 dias úteis, até 8 janeiro de 2018, para tomar uma decisão. A 31 de julho, a Bayer e a Monsanto entregaram declarações direcionadas para as preocupações listadas pela Comissão, no entanto, esta considera aquelas informações insuficientes para clarificar as suas dúvidas.

A Comissária Europeia à frente da pasta da Competição, Margrethe Vestager, diz ter recebido várias reações de cidadãos preocupados com as consequências da mega aquisição da Bayer. Responde diretamente àqueles que a interpelaram através de uma carta, de conteúdo semelhante ao comunicado e imprensa partilhado pela conta oficial da EU Competition, o departamento sobre a sua tutela.

Desde o início do ano, a Comissão Europeia já autorizou duas mega fusões no setor agroquímico, sob condições. No final de março, Bruxelas autorizou a fusão dos grupos norte-americanos Dow e Dupont, que vai dar origem à DowDuPont, um gigante que vale 130 mil milhões de dólares (110,6 mil milhões de euros) no mercado bolsista. Dez dias depois, foi a decisão sobre a compra da suíça Syngenta pelo grupo chinês ChemChina por 43 mil milhões de dólares (40 mil milhões de euros, na altura, ou 36,5 mil milhões de euros atualmente), a maior compra de sempre lançada por um grupo da China no estrangeiro.

As novas empresas comprometeram-se junto da União Europeia a vender algumas das suas atividades de modo a garantir a concorrência no mercado europeu. No ano passado, a Bayer teve um lucro de 4,5 mil milhões de euros e um volume de negócios de 46,8 mil milhões de euros. A Monsanto apresentou no exercício 2015/2016 um resultado líquido de 1,3 mil milhões de dólares (850 milhões de euros), para um volume de negócios de 13,5 mil milhões de dólares (11,5 mil milhões de euros).

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