Bayer fecha o maior negócio do ano com compra da Monsanto

  • Marta Santos Silva
  • 15 Setembro 2016

A gigante farmacêutica alemã ofereceu 66 mil milhões de dólares pela empresa norte-americana, mas o próximo grande obstáculo é ter a aprovação dos reguladores.

É o maior negócio do ano, até agora. A Bayer anunciou a compra da norte-americana Monsanto por quase 59 mil milhões de euros (66 mil milhões de dólares).

É a terceira vez que a farmacêutica alemã, que também produz pesticidas e outros químicos para a agricultura, aumenta a sua licitação pela empresa norte-americana de produção de sementes geneticamente modificadas, ao longo de uma negociação que dura desde março. A mais recente subida para 114,05 euros (128 dólares) por ação convenceu finalmente a administração da Monsanto, que aceitou o negócio.

O diretor executivo da Bayer, Werner Baumann, citado num comunicado da empresa, afirmou que a aquisição “reforça a posição de liderança da Bayer enquanto empresa dedicada à inovação global nas ciências da vida”. O presidente da Monsanto, Hugh Grant, disse que a fusão com a Bayer representa uma grande vantagem para os acionistas da Monsanto, especialmente por a transação ser all-cash, totalmente em numerário. Isto significa que os acionistas da Monsanto recebem o valor em numerário das suas ações, e não títulos da Bayer em troca daqueles que detinham na Monsanto.

A junção das duas gigantes no mercado agrícola está agora sujeita aos reguladores, que podem não a ver com bons olhos. A agência Reuters escreve que, em conjunto, a Monsanto e a Bayer passam a controlar mais de um quarto do mercado mundial de sementes e pesticidas, o que pode violar as leis da concorrência. Devido ao risco de a transação ser impedida pelos reguladores, a Bayer incluiu uma break-fee de dois mil milhões de dólares, o que significa que, se não obtiver autorização para levar a aquisição para a frente, terá de pagar essa quantia à Monsanto.

Werner Baumann, diretor-executivo da Bayer (à esquerda) aperta a mão de Hugh Grant, presidente da Monsanto.
Werner Baumann, diretor-executivo da Bayer (à esquerda) aperta a mão de Hugh Grant, presidente da Monsanto.Bayer AG

Numa nota de research citada pela Reuters, os analistas da Berstein Research previam que o negócio teria apenas 50% de hipóteses de obter aprovação, devido à “oposição política a esta aquisição, que vai desde a insatisfação dos agricultores com todos os seus fornecedores, devido a lucros agrícolas baixos, até ao desagrado com a saída da Monsanto dos Estados Unidos”.

Ao final da tarde de quarta-feira, as ações da Bayer valorizavam 1,19%, para 94,41 euros. Os títulos da Monsanto também estavam a subir 0,66%, para 106,80 euros. Trata-se de um valor bastante inferior aos 114,05 euros por ação pagos pela Bayer, o que pode ser visto como um sinal de que os investidores não estão muito confiantes de que o negócio venha a ser aprovado pelos reguladores.

A compra da Bayer pela Monsanto torna-se assim no maior negócio de sempre com uma compradora alemã, superando em quase 18 mil milhões de euros a fusão da Daimler com a Chrysler em 1998.

Editado por Mariana de Araújo Barbosa.

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