Refúgio. Obrigações com juros negativos superam os 10 biliões de euros

Procura por obrigações que oferecem rendimentos negativos se detidos até à maturidade voltou a crescer no mês passado, num sinal de maior aversão da parte dos investidores.

Com a incerteza a regressar em força à Zona Euro, mais concretamente ao coração da moeda única — o sistema financeiro da Alemanha –, os investidores voltaram a apostar as suas fichas no mercado obrigacionista. A aversão ao risco em setembro foi tão elevada que eles nem se importaram de reforçar os seus investimentos em títulos de dívida que apresentam taxas de juro negativas.

Segundo o Bloomberg Barclays Global Aggregate Index de obrigações com grau de investimento, o valor nominal total global de dívida soberana e privada superou a barreira dos dez biliões de euros (11,6 biliões de dólares) em setembro, o que corresponde a um crescimento de 6,1% face ao mês anterior. Este valor havia caído nos dois meses anteriores depois de ter atingido um máximo histórico em junho, nos 10,6 biliões de euros (11,9 biliões de dólares).

Total de obrigações com taxa de juro negativa

Fonte: Bloomberg (Valores em biliões de dólares)
Fonte: Bloomberg (Valores em biliões de dólares)

A procura pela segurança que estas obrigações de elevada qualidade oferecem aumentou em todos menos dois dos 13 países com mais de 100 mil milhões de dólares de dívida com yields abaixo de 0%.

O Japão, onde o banco central anunciou no mês passado que iria comprar os títulos de dívida com juros negativos como parte de um pacote mais alargado de estímulos, representa cerca de metade deste mercado, com cerca de 5,3 biliões de euros (seis biliões dólares) em dívida que se detida até à maturidade irá trazer rentabilidade negativa. Por seu turno, a Europa Ocidental representa 47% deste índice, com destaque para os mercados da França, Alemanha, Holanda, Espanha e Itália.

Em termos de emitentes, são os governos em todo o mundo quem mais está representado neste índice, com um total de 8,86 biliões de euros em títulos de dívida pública com juros na zona de perda de dinheiro. Já as empresas (corporate debt) correspondem a 15% do total do índice.

O Bloomberg Barclays Global Aggregate Index apresenta uma capitalização bolsista no valor de cerca de 43 biliões de euros (48 biliões de dólares) e inclui dívida avaliada com grau de investimento de 24 economias desenvolvidas e emergentes. O índice não inclui dívida de curto prazo, dado que a elevada liquidez deste mercado tende a apresentar taxas de juros mais baixas. Adicionalmente, este índice baseia-se nos montantes de dívida emitida e não tem em conta os pequenos montantes de dívida recomprada.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Refúgio. Obrigações com juros negativos superam os 10 biliões de euros

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião