Bancos portugueses no grupo dos mais arriscados da Europa

  • Rita Atalaia
  • 4 Setembro 2017

Em conjunto com Itália, Espanha e Grécia, os bancos portugueses continuam em risco, alerta a Bain. Bancos escandinavos, belgas e holandeses são vistos como os "vencedores".

Os bancos portugueses estão a recuperar, mas precisam de fazer mais. Ainda fazem parte da lista de instituições com maior risco de falência, em conjunto com os bancos em Itália, Grécia e Espanha. A conclusão é da Bain. Mas, segundo a consultora britânica, isto não significa que o destino inevitável dos bancos seja a falência. Há medidas que podem ser tomadas “urgentemente” para que possam regressar ao caminho da rentabilidade e garantir a sua sobrevivência.

Já passaram dez anos desde que rebentou a crise financeira global, que agitou o setor bancário. Os bancos europeus estão a recuperar, com muitos a passarem nos testes de stress dos reguladores. Mas há um conjunto de instituições financeiras que continua a preocupar. Segundo a Bain, “28% dos bancos apresentam um risco elevado [de falência], acima dos 26% registados em 2013”. E estes bancos são portugueses, mas também italianos, gregos e espanhóis. A consultora refere que “continuam em stress” e em risco de falência, enquanto os bancos escandinavos, belgas e holandeses são vistos como os “vencedores”.

“Os bancos na Europa ainda têm desafios por superar. Mais de um quarto dos bancos parece ter um risco elevado e precisa de agir urgentemente para garantir a sobrevivência. Outros debatem-se com um balanço fraco, enquanto alguns precisam de repensar radicalmente os seus modelos de negócio para continuarem competitivos”, refere a Bain. Segundo o departamento de estudos do Deutsche Bank, as mudanças estruturais da banca europeia são assinaláveis, mas a capacidade das instituições em gerar capital permanece débil. É preciso fazer mais.

Falir? “É preciso agir urgentemente”

“Um banco problemático não está necessariamente destinado a falir”, afirma João Soares, partner da Bain. “A viagem de regresso à rentabilidade é longa e chegar ao destino exige algumas decisões muito difíceis. Mas já vimos que é possível tomar medidas e regressar ao crescimento”, explica. A experiência de alguns bancos que já estiveram numa situação complicada, mas conseguiram sobreviver, mostra que esta recuperação é possível. Como?

  • Redução significativa do balanço: os bancos “vencedores”, como são chamados pela consultora, reduziram o peso dos ativos ponderados pelo risco em cerca de 50%. Diminuíram ainda o total dos empréstimos entre 25% e 30% e o crédito malparado em 70% a 75%;
  • Aumento das receitas fruto de uma relação mais próxima com os clientes e através da aposta no mundo digital: a margem financeira enquanto percentagem dos ativos ponderados pelo risco mais do que duplicou. Isto aconteceu depois de os bancos terem reavaliado os mercados em que estão presentes nos segmentos de retalho e empresarial;
  • Ajustamento da base de custos para reinvestir em novas atividades: os bancos “vencedores” procuram reduzir os custos, analisando os encargos numa base anual, partindo do zero. Ao utilizarem esta fórmula, estes bancos conseguem poupanças mais significativas que lhes permitem, depois, reinvestir em negócios mais rentáveis;
  • Mudar a forma como se financiam: os níveis de depósitos dos bancos que conseguem regressar à rentabilidade subiram entre 20% e 25%, isto ao mesmo tempo que reduziram o financiamento no mercado entre 70% e 80%.

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