FMI diz que os jovens sofreram mais com a crise do que os idosos

  • Margarida Peixoto
  • 15 Setembro 2017

O Fundo foi estudar como é que a crise afetou os jovens portugueses e concluiu que foram mais desfavorecidos.

A crise económica vivida nos últimos anos foi dura para a generalidade dos portugueses. Mas houve um grupo particularmente afetado: o dos jovens. De acordo com uma análise do FMI publicada no âmbito do Artigo IV, os jovens sofreram mais com a crise do que os idosos.

Com base numa revisão de literatura que reflete sobre o impacto da crise económica, o FMI compara os jovens com os idosos e conclui que os jovens foram mais atingidos.

“Os pensionistas, que tinham o nível mais baixo de rendimento em Portugal antes da crise, tiveram o maior aumento durante este período, e o seu rendimento líquido mediano equiparável ultrapassou o dos jovens,” argumenta o FMI, no relatório publicado esta sexta-feira. “Os desenvolvimentos em termos de pobreza relativa foram particularmente negativos para os jovens, enquanto os idosos foram menos penalizados,” continua o documento.

O Fundo acrescenta que a reversão da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (uma taxa adicional que era aplicada nas pensões, introduzida no Governo de Passos Coelho) poderá ter contribuído para diminuir a capacidade de redistribuição do sistema de impostos entre gerações.

Os jovens (com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos) foram particularmente afetados pela quebra e desenvolvimentos negativos do mercado de trabalho.

FMI

Mas não foi só em relação aos idosos que ficaram mais prejudicados. Quando comparado com a restante população em idade ativa, os jovens também foram os que mais sofreram as consequências da crise.

“Os jovens (com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos) foram particularmente afetados pela quebra e desenvolvimentos negativos do mercado de trabalho,” lê-se no relatório. “Os seus rendimentos ainda não recuperaram completamente para os níveis pré-crise, e o seu risco de pobreza é o mais elevado de entre todos as faixas etárias,” concluem os peritos internacionais.

Porquê? Porque estão desproporcionalmente desempregados ou em formas precárias de emprego; porque estão na metade mais desprotegida de um mercado de trabalho dual, segmentado entre quem tem segurança laboral e quem não tem; porque ficaram mais em risco de pobreza do que os restantes grupos etários.

O FMI diz que os jovens afetados pela crise ficaram com uma transição dos estudos para o mercado de trabalho mais difícil e mais demorada do que os outros. Que enquanto no resto da população a fatia de pessoas que está em part-time mas que gostaria de trabalhar mais horas se manteve mais ou menos inalterada, no grupo dos jovens esta fatia duplicou.

Além disso, para o Fundo o aumento do salário mínimo pode ter ajudado os jovens empregados a evitar o risco de pobreza, mas poderá ter dificultado o acesso ao emprego para os restantes. “Salários mínimos mais elevados estão associados a desemprego jovem mais elevado na maioria dos países na Europa, enquanto o impacto no desemprego dos trabalhadores mais velhos é insignificante,” defendem os peritos.

Perante este diagnóstico, o FMI retoma muitas das recomendações que tem feito nos últimos anos:

  • Reduzir a dualidade do mercado de trabalho para aumentar a possibilidade de os jovens acederem a emprego menos precário.
  • Conter os aumentos do salário mínimo.
  • Reformar as prestações sociais (de desemprego e outras, que não pensões).
  • Aumentar o impacto redistributivo dos impostos, incluindo intergeracional.

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