Férias ditam maior rombo de sempre nos depósitos. Crédito ao consumo cresce

O dinheiro depositado pelos portugueses na banca encolheu em 2.204 milhões de euros em agosto. Trata-se da maior fuga de sempre e coincide como período das férias.

Agosto foi o mês de muitos portugueses irem a banhos e parecem ter levado os bolsos recheados de dinheiro. Nesse mês, o valor depositado pelos portugueses nos bancos sofreu o maior rombo de sempre. Dados do Banco Central Europeu (BCE) indicam que nesse mês, o “bolo” total dos depósitos encolheu em 2.204 milhões de euros. Além de gastarem poupanças também recorreram mais ao crédito ao consumo.

Segundo os dados da entidade liderada por Mario Draghi, em agosto, os portugueses detinham um total de 141.311 milhões de euros aplicados em depósitos. Este montante corresponde a uma quebra de 2.204 milhões de euros em comparação com os 143.515 milhões de euros que estavam depositados em julho.

Trata-se da maior quebra do histórico do BCE, cujo início remonta a janeiro de 2003, com o saldo dos depósitos a encolher para mínimos de abril de 2017. Os números registado sem agosto deste ano aceleram uma tendência que já se tinha observado no mesmo mês do ano passado, quando o saldo dos depósitos encolheu em 2.114 milhões de euros.

Depósitos em queda

Fonte: BCE | Valores em milhões de euros

A quebra registada nos depósitos revela a maior disposição dos portugueses a abrir os cordões à bolsa no período das férias, aproveitando a melhoria das perspetivas económicas do país.

Os números do BCE revelados esta quarta-feira comprovam a cada vez menor apetência dos portugueses para a poupança. O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou há poucos dias dados que sinalizam que a taxa de poupança das famílias portuguesas está próxima de níveis mínimos. No ano terminado em junho de 2017, as famílias pouparam apenas 5,2% do seu rendimento disponível.

A menor predisposição para poupar coincide com um período da melhoria das perspetivas face à recuperação da economia. Os últimos dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) português atestam isso mesmo. No final da semana passada, o INE reviu em alta, pela segunda vez, o crescimento do PIB do segundo trimestre deste ano para 3%, o valor mais alto dos últimos 17 anos.

Crédito ao consumo a subir. O resto continua a cair

Ilustrativo da maior disposição para gastar dinheiro estão os números do crédito ao consumo. Também de acordo com dados disponibilizados pelo BCE, o bolo total do crédito ao consumo cresceu em 370 milhões de euros, em agosto, face ao mês anterior. O saldo total deste tipo de crédito aumentou assim em 2,87%, para 13.275 milhões de euros, no final de agosto.

Esta finalidade de crédito foi, aliás, a única que acelerou em agosto. Os restantes tipos de crédito continuam a apresentar uma tendência de quebra. Em agosto, o saldo do crédito à habitação encolheu em 71 milhões de euros, para um total de 94.400 milhões de euros. Já no crédito com outros fins a quebra foi de 309 milhões de euros, para 8.297 milhões de euros.

A mesma tendência se observou no que respeita ao crédito às empresas. O saldo dos empréstimos para esse segmento recuou em 255 milhões, para um total de 75.609 milhões de euros, em agosto.

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