Carlos Costa avisa que gerir malparado fora dos bancos vai ser prejudicial

  • Margarida Peixoto
  • 28 Setembro 2017

O governador do Banco de Portugal avisou esta quinta-feira que qualquer modelo que implique externalizar os ativos que não geram rendimentos vai ser prejudicial para a banca.

Se o sistema bancário português tiver de recorrer “a qualquer modelo de externalização da venda de ativos que não geram rendimento” vai ser bastante penalizado. O aviso é de Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, e foi deixado esta quinta-feira durante uma Conferência de Homenagem a Medina Carreira, realizada na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

O governador falava sobre o atual momento económico, onde as economias desenvolvidas têm de lidar com níveis de crescimento da produtividade muito baixos. Carlos Costa explicava que “uma das questões que distingue bastante os países da União Europeia que participam na união bancaria é a eficácia do sistema em matéria de execução dos créditos quando entram em incumprimento.” E acrescentou: “Vai ser esse um dos fatores que vai seguramente penalizar bastante o sistema bancário português se tiver de recorrer a qualquer modelo de externalização da venda de ativos que não geram rendimento.

Neste momento debate-se em Portugal um modelo para solucionar o malparado dos bancos, que persiste em níveis elevados e prejudica a capacidade do sistema financeiro de impulsionar o crescimento económico através do financiamento às empresas.

Sobre a produtividade, Carlos Costa frisou que os países têm de se concentrar em encontrar as condições certas para permitir que esta aumente.

É essencial prosseguir com a consolidação financeira

“A manter-se por muito tempo o fraco crescimento da produtividade, este crescimento sofrível da produtividade comprometerá gravemente o aumento do nível de vida os cidadãos e a manutenção do modelo social em que se baseia todo o sistema ocidental e europeu de convivência entre os países,” vaticinou Carlos Costa.

Já “em Portugal, o reduzido crescimento da produtividade observado nas últimas décadas limita a possibilidade de sustentar maiores níveis de consumo sem incorrer em desequilíbrios externos”, ou seja, “níveis insustentáveis de endividamento.” Por isso, “tendo em conta o atual endividamento público e privado é essencial consciencializar a sociedade portuguesa da necessidade de prosseguir com a consolidação financeira e, simultaneamente, criar condições que favoreçam o investimento e a produtividade”.

Até porque, defendeu Carlos Costa, “são as empresas em si mesmo o fator que garante, ou não, o crescimento económico.”

E como é que se promove o aumento da produtividade? Através da difusão dos vários tipos de inovação — radical ou incremental — e que, segundo o governador, se pode levar às empresas já no terreno da seguinte forma:

  1. Investindo em capital humano, aumentando a formação, a aprendizagem ao longo da vida e a formação no trabalho. Carlos Costa sublinhou que os estudos indicam que as empresas com maior número de trabalhadores com contratos a prazo, com menos estabilidade e que investem menos em formação, tendem a ter pior desempenho na inovação.
  2. Investindo em intangíveis, como patentes e investigação.
  3. Através de um ambiente económico dinâmico e favorável ao empreendedorismo, com custos de contexto limitados, estabilidade no quadro regulatório, simplicidade do sistema fiscal e eficácia do sistema de justiça em matéria de insolvência.

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