António Costa não compreende a “virulência do protesto” dos enfermeiros

  • ECO
  • 29 Setembro 2017

O primeiro-ministro acredita que um acordo entre o Governo e os enfermeiros está para breve. No entanto, diz não haver hipótese de ceder ao aumento salarial de 400 euros pedido pelos sindicatos.

António Costa não vai ceder e diz não ser possível aumentar o salário dos enfermeiros para o valor pedido — 400 euros, descrevendo os protestos feitos até hoje como virulentos. Ainda assim, o primeiro-ministro acredita que um acordo entre o Governo e os sindicatos está para breve.

Em entrevista à TSF, transmitida esta sexta-feira, António Costa falou sobre a onda de greves e protestos que tem envolvido o setor da enfermagem, justificados pelas fracas condições salariais. “Com toda a franqueza tenho dificuldade em compreender a virulência deste protesto tendo em conta o quadro de negociação que está previsto“, sublinhou.

O primeiro-ministro mostrou-se confiante num acordo com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), algo que acredita estar próximo, de acordo com as indicações que recebeu do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes. Mas, lembra que não é possível dar tudo a todos ao mesmo tempo.

"O SEP é o único que tem postura dialogante. Tenho otimismo de que seja possível (um acordo). A indicação que tenho por parte do ministro da Saúde é que estamos muito próximo de chegar a acordo.”

António Costa

No entanto, diz não ser possível ceder às exigências das restantes estruturas sindicais, que também ameaçam com uma greve para outubro. “Ninguém pode ter a ilusão de que tudo é possível e já (…) Sobretudo não nos podem imputar como tendo assumido compromissos que de todo assumimos. Quando nos vêm propor um aumento salarial de 400 euros, nunca assumimos esse compromisso“, sublinha, referindo-se à reivindicação do Sindicato dos Enfermeiros e do Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem.

Recorde-se que o SEP reclama a revisão da carreira até ao final do primeiro semestre de 2018, a reposição das horas de trabalho aos fins de semana, feriados e à noite, a partir de janeiro e a extensão das 35 horas semanais de trabalho a todos os enfermeiros antes de julho. Os enfermeiros especialistas em saúde materna lutam ainda contra a falta de pagamento na sua especialidade, não aceitando o subsídio transitório proposto pelo Governo.

Esta quarta-feira, a Federação Nacional dos Médicos divulgou um pré-aviso de greves rotativas a partir de 11 de outubro, com uma paralisação total a 8 de novembro.

António Costa defende ministro da Saúde no caso de Tancos

Na entrevista, o primeiro-ministro saiu em defesa de Azeredo Lopes, dizendo que “o ministro da Defesa, naquilo que lhe compete, agiu corretamente”. E ainda acrescentou que, se fosse Costa o oficial de serviço no dia do assunto, assumiria toda a responsabilidade e não culpava outros.

“Eu cumpri serviço militar, e lembro-me das minhas obrigações de oficial de dia, e tenho a certeza absoluta que se houvesse algum incidente desta natureza em primeiro lugar a responsabilidade seria minha. Há uma pessoa que eu sei que não seria, que era do ministro da Defesa que seguramente nem sabia o que se estava a passar nem pode saber, nem tem que saber o que se está a passar em cada uma das unidades“, afirmou António Costa.

Artigo corrigido

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