Catalunha perde 50% do PIB com saída de empresas

  • ECO
  • 10 Outubro 2017

Das mais de 30 organizações que decidiram mudar a sua sede para fora da Catalunha, 11 são grandes empresas cotadas na bolsa de Madrid. As perdas ascendem ao equivalente de 50% do PIB da região.

O referendo pela independência da Catalunha continua a manchar o tecido empresarial da região. As contas começam a ser feitas e a saída das sedes de várias empresas da Catalunha representam perdas de 50% do PIB da comunidade espanhola, revela o El Mundo. Os catalães já perderam mais de 30 empresas, inclusive uma série de cotadas no IBEX 35. Ao todo, 11 empresas cotadas na Bolsa decidiram mudar a sua sede para outros pontos de Espanha. A Catalunha perde assim um conjunto de empresas avaliadas num total de 78.130 milhões de euros, avança o CincoDías esta terça-feira.

As últimas grandes perdas da região foram anunciadas no início desta semana. O grupo de infraestruturas Abertis e a Imobiliária Colonial anunciaram a sua mudança de sede para Madrid e para Málaga, respetivamente. A primeira empresa a anunciar a sua saída da região foi a biofarmacêutica Oryzon, que também decidiu instalar-se na capital espanhola. Desde então, várias outras entidades seguiram o seu exemplo, desde bancos como o Sabadell, o CaixaBank e o Mediolanum, até à energética Gas Natural Fenosa. Entre as várias razões apresentadas, as empresas falam do clima de instabilidade que se faz sentir na Catalunha, bem como de uma salvaguarda dos direitos e interesses dos seus acionistas, clientes e funcionários.

Para além de grandes empresas, o CincoDías refere a posição das empresas multinacionais sediadas na Catalunha. A Bayer, por exemplo, pediu na passada segunda-feira um marco jurídico e político para manter a sua atividade na região, sem avançar com a possibilidade de mudar as suas instalações. Nomes como a H&M, o Lidl ou a Seat mostram-se expectantes com a situação que se vive na Catalunha, mas não falam numa mudança. Já a Danone ou a Nestlé não mostram quaisquer preocupações publicamente.

Entre os vários destinos para as novas sedes das empresas, a mesma fonte aponta para as comunidades de Madrid, seguindo-se Valência, Aragão e as Baleares.

O jornal El País compilou a lista completa de empresas que estão de saída da comunidade catalã.

Carles Puigdemont marcará presença esta terça-feira junto do parlamento catalão, onde poderá avançar com uma declaração unilateral de independência da Catalunha. Do lado de Madrid, Mariano Rajoy prometeu uma “mão pesada”. Em declarações aos jornalistas, o porta-voz do PP, Pablo Casado, citou as palavras do presidente do governo espanhol ao dizer “Vamos Impedir a independência da Catalunha”.

Na manga, Rajoy guarda a dita “bomba atómica” da Constituição. Trata-se do artigo 155º que pode ser posto em prática “se uma Comunidade Autónoma não cumprir as obrigações que a Constituição e outras leis lhe impõem, ao atuar de forma que atente gravemente o interesse geral de Espanha”, segundo pode ler-se no documento oficial. Neste sentido, o Governo poderá tomar “as medidas necessárias para obrigar” qualquer Comunidade Autónoma “ao cumprimento forçoso” das obrigações legais que lhes são impostas.

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