Da banca às farmacêuticas, quais as empresas que vão abandonar a Catalunha?

  • Juliana Nogueira Santos
  • 6 Outubro 2017

Com a independência da Catalunha a avistar-se, as empresas que têm sede social na região estão a repensar a sua posição. É o caso do Sabadell e da Oryzon, mas poderá ser o de muitas outras.

Com a independência da Catalunha a parecer cada vez mais uma certeza, as empresas que têm sede social na região estão a repensar a sua posição. É o caso dos bancos Sabadell e CaixaBank ou da biofarmacêutica Oryzon, que já anunciaram que se vão mudar de Barcelona para outros pontos do país, mas poderá ser o de muitas mais empresas ao longo do tempo.

À luz desta necessidade, o Governo espanhol aprovou um decreto urgente que facilita a saída das empresas da Catalunha, sem terem de submeter esta decisão aos seus acionistas, ou seja, apenas com a decisão do Conselho de Administração. Assim, quais foram as empresas que já decidiram dizer adeus à Catalunha?

Oryzon

A biofarmacêutica Oryzon foi a primeira a anunciar a transferência de sede. Na passada quarta-feira, a empresa afirmou que ia sair de Cornellà de Llobregat, uma cidade nos arredores de Barcelona, para a capital espanhola, Madrid. A empresa não ligou a decisão ao desfecho do referendo ou à declaração unilateral de independência, tendo apenas avançado como justificação a otimização das operações e a relação com os investidores.

Sabadell

O Banco Sabadell anunciou na quinta-feira que vai mudar a sua sede de Barcelona para Alicante. No comunicado à imprensa, a instituição afirmou que na base da sua decisão está “a proteção dos interesses dos nossos clientes, investidores e trabalhadores”. Em cima da mesa esteve também a opção de mudar as instalações para Madrid, mas foi a cidade do norte do país que acabou por ser a escolhida.

CaixaBank

O dono do BPI, o CaixaBank, já decidiu. Depois da reunião de emergência esta sexta-feira para retirar a sede social da Catalunha, Valência foi a cidade escolhida para a nova localização. A decisão justifica-se de um ponto de vista político, uma vez que a escolha de Madrid poderia ser interpretada como uma mensagem muito dura.

Já este sábado, a Fundación Bancaria La Caixa, acionista maioritária do CaixaBank, anunciou que decidiu transferir a sede da Catalunha para Palma de Mallorca. A decisão abrange também o Criteria Caixa, holding industrial do grupo.

Banco Mediolanum

O Banco Mediolanum segue as pisadas dos seus pares e anunciou que se vai mudar para Valência. Ainda assim, este não vai de malas de bagagens, visto que vai manter os centros operativos em Barcelona. Com esta operação, um dos responsáveis do banco afirmou que este conseguirá “manter os níveis de proteção” dos créditos e depósitos.

Gas Natural Fenosa

Os administradores da energética já decidiram o futuro da empresa e este passa pela mudança de Barcelona para Madrid. A Gas Natural Fenosa é uma das maiores empresas com sede na Catalunha e também um dos pesos pesados do IBEX e evoca a “insegurança jurídica” como o principal motivo que levou a esta decisão.

Podemos falar em Catalexit?

Este processo está a ser comparado por muitos com o Brexit, visto que muitas empresas decidiram abandonar Londres antes de serem conhecidos os trâmites finais da saída do Reino Unido da União Europeia. A desvalorização da libra, as quedas dos índices bolsistas britânicos e as dúvidas em torno das regras comerciais levaram várias empresas, desde o setor da banca aos fundos de investimento, a abandonarem a capital londrina.

Após serem conhecidos os resultados do referendo separatista, que decorreu com muitos percalços no último domingo, o principal índice espanhol, o IBEX, tocou mínimos de março de 2015 e os juros da dívida subiram a pique. Ainda que as consecutivas decisões para mudarem as sedes de cidade tenham feito abrandar as perdas do índice, este continua a negociar em terreno negativo.

As empresas portuguesas estão a ver estes acontecimentos com “alguma inquietude e alguma angústia”, como afirmou António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal em declarações aos jornalistas citadas pela agência Lusa, visto que o mercado espanhol é um dos “mercados preferenciais” destas. “Obviamente que tudo aquilo que perturbe o mercado espanhol terá reflexos, positivos ou negativos, na economia portuguesa”, admitiu.

(Lista de empresas em atualização)

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