Fenprof entrega pré-aviso de greve para final do período

  • Marta Santos Silva
  • 12 Outubro 2017

A greve será às horas consideradas "irregulares" pelo sindicato, que acredita que os horários dos professores se encontram "pervertidos" resultando em muitas horas de trabalho em casa, não remunerado.

A Fenprof, o principal sindicato de professores, entregou esta manhã de quinta-feira um pré-aviso de greve para o final do primeiro período escolar deste ano letivo, junto do Ministério da Educação.

Em comunicado enviado às redações, a Fenprof refere que o pré-aviso se aplica “às atividades letivas irregularmente inscritas na componente não letiva dos horários dos docentes“, e vai desde o dia 6 de novembro até ao dia 15 de dezembro.

“Hoje e amanhã, dias 12 e 13 de outubro, o Secretariado Nacional da FENPROF estará reunido para debater aspetos como o descongelamento das carreiras, os concursos ou os recentes dados estatísticos que apontam para um acelerado envelhecimento da profissão docente”, lê-se no comunicado, “e, também, para decidir formas de luta que permitam concretizar os objetivos reivindicativos que se encontram definidos.”

Em entrevista com o ECO, Mário Nogueira já sublinhara o grande desconforto na profissão com os horários considerados irregulares na profissão dos professores.

“Os horários estão absolutamente pervertidos”, disse o sindicalista. “Os professores têm uma componente letiva, que representa as aulas e interação direta com os alunos, uma componente de estabelecimento, que é a das tarefas que se fazem na escola, onde se incluem as reuniões, e depois tem uma componente individual de trabalho, que são as correções de testes e preparação das aulas, entre outras tarefas”, explicou.

E questionava, nessa entrevista: “O que é que fez o Ministério da Educação? Encheu a componente letiva só com as aulas. Tudo o que são outras atividades diretas com os alunos, sejam apoios a grupos, que muitas vezes são a turma inteira, sejam coadjuvações, quando dois professores trabalham com a mesma turma, foram passados para a secção de ‘atividade de estabelecimento’. Sendo assim, atividades que incluem as reuniões tiveram de ser empurradas para a secção de ‘atividade individual'”. “Fizemos contas com um inquérito a que responderam mais de cinco mil professores, e o horário médio do professor é de 46 horas semanais, o que não tem paralelo em mais nenhuma profissão”. O inquérito foi realizado pela FENPROF e divulgado em março deste ano. Os dados podem ser consultados aqui, em PDF.

O pré-aviso de greve surge numa altura em que a deputada do Bloco de Esquerda Joana Mortágua afirmou, no Parlamento, que o Orçamento do Estado para 2018 vai permitir a vinculação de 3.500 novos professores.

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