ADSE propõe consultas mais caras a partir de 1 de janeiro

  • Marta Santos Silva
  • 27 Outubro 2017

A proposta da direção da ADSE agrava as tabelas de preços, e mas os representantes dos beneficiários não estão satisfeitos. O objetivo é, em parte, reduzir as fraudes de prestadores de serviços.

A ADSE propôs, num documento enviado aos membros do Conselho Geral e de Supervisão da entidade, que a partir de 1 de janeiro sejam atualizados os preços das consultas pagos pelos beneficiários para ficarem mais caros. O dirigente da instituição, Carlos Liberato Batista, defende no documento que o aumento de preços servirá, em parte, para combater as fraudes que prejudicam tanto a ADSE como os beneficiários, e também para procurar alargar a rede. Os representantes dos beneficiários não estão satisfeitos com a proposta.

A proposta da ADSE, o subsistema de saúde dos funcionários públicos, é de que as consultas de clínica geral e de especialidade aumentem de preço para o beneficiário em 1,51 euros e 1,01 euros respetivamente, o que fará com que ambas passem a custar cerca de cinco euros.

A própria ADSE também passaria a pagar mais por cada um desses atos: na consulta de clínica geral passaria a pagar mais 4,03 euros e na de especialidade mais 0,53 euros.

Qual o objetivo de aumentar estes custos? A ideia, explica o documento, é em parte combater a fraude — nos casos em que “muitas das entidades convencionadas” praticam “clara sobrefaturação fraudulenta com o objetivo de valorizar financeiramente o ato praticado”, visto o acordo com a ADSE garantir pagamentos baixos, o que “acaba por prejudicar claramente o beneficiário e a própria ADSE.

Outro dos objetivos é procurar expandir a rede convencionada, visto que se verifica “a recusa dos prestadores mais experientes em fazerem parte” com os preços baixos, em especial na medicina dentária. Nessa especialidade, “na maioria das situações da atual tabela, os preços praticados pela ADSE ficam abaixo do preço de custo do respetivo ato”.

"Não podemos aceitar alterações nas tabelas que onerem ainda mais os beneficiários, como já pagamos 3,5% dos salários.”

José Abraão

Dirigente da Fesap

No entanto, os representantes dos trabalhadores no Conselho Geral e de Supervisão do organismo não estão satisfeitos com a proposta. José Abraão, dirigente do sindicato dos funcionários públicos Fesap, disse ao ECO que o aumento é “incompreensível”.

“Não podemos aceitar alterações nas tabelas que onerem ainda mais os beneficiários, como já pagamos 3,5% dos salários” como contribuição para a ADSE, explicou. “Continuamos a exigir uma redução da contribuição”. Uma redução nesse sentido poderia abrir espaço de negociação para outras áreas. “A outra componente que exigimos é que haja um reforço dos prestadores de serviços da ADSE. Tem de haver uma negociação dos contratos, admitindo podermos discutir e analisar eventuais ajustamentos naquilo que se paga aos convencionados, sejam médicos ou outras entidades, de maneira a que haja uma melhor rede no país, para que melhore a oferta também”, continuou o representante.

Ao Jornal de Negócios, Francisco Braz, um dos representantes eleitos pelos beneficiários disse que a proposta “não deverá avançar nestes termos”, já que a “maior parte” dos membros do Conselho Geral e de Supervisão se opõem a ela.

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