Mário Nogueira: Se anos “perdidos” não contarem professores voltam à rua

  • Marta Santos Silva
  • 15 Novembro 2017

Mário Nogueira afirma que os professores esperam, após as declarações da secretária de Estado, que haja recuperação dos anos de trabalho. Caso contrário haverá "dez vezes os professores na rua".

Mário Nogueira, da Fenprof, espera que as negociações agendadas para esta quinta-feira entre os representantes sindicais dos professores e o Ministério da Educação sirvam para definir uma estratégia de recuperação dos anos de trabalho dos docentes em que as carreiras estiveram congeladas que, na vasta maioria, não vão ser tidos em conta com o descongelamento das carreiras. Se, pelo contrário, não houver propostas concretas nesse sentido, como uma fonte do Governo indicou, o dirigente do principal sindicato dos professores prevê que os docentes saiam à rua em muito maiores números.

“Nós evidentemente que só podemos comentar exatamente o que o Governo pretende dizer” depois das negociações de amanhã, disse Mário Nogueira. Em dia de greve dos professores e com docentes na rua em manifestação, a secretária de Estado adjunta e da Educação Alexandra Leitão admitiu, em audição no Parlamento, reconhecer o tempo de serviço dos professores: “Vai haver uma forma da contagem do tempo de serviço da carreira docente ser de alguma forma recuperada. Veremos com os sindicatos e em negociação com que faseamento”.

As negociações vão começar amanhã, quinta-feira, e Mário Nogueira disse ao ECO esperar que a secretária de Estado quisesse dizer “que os nove anos (…) vão ser contados integralmente”.

"Se chegarmos à reunião amanhã e nos disserem que a senhora secretária de Estado não queria dizer aquilo que disse, que eu espero que não aconteça, [então] hoje foi só um primeiro momento, e pode ter a certeza que vai ter dez vezes o número de professores na rua.”

Mário Nogueira

Dirigente da Fenprof

“Com uma greve com esta adesão, não pode haver outra saída que não seja essa”, disse o sindicalista. “Amanhã, esperamos que a reunião sirva para discutir de que forma é que é recuperado o tempo, e lá estaremos com a flexibilidade necessária para que isso aconteça gradualmente”, completou.

Confrontado com a informação de que o Governo poderá estar à procura de soluções focadas no futuro e que não tenham impactos orçamentais nos próximos anos, o dirigente sindical disse que “o tempo de serviço não é negociável”.

“Se chegarmos à reunião amanhã e nos disserem que a senhora secretária de Estado não queria dizer aquilo que disse, que eu espero que não aconteça”, continuou, então “hoje foi só um primeiro momento, e pode ter a certeza que vai ter dez vezes o número de professores na rua”.

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