EDP: Seca não afeta os preços da eletricidade, para já

  • Ana Batalha Oliveira
  • 23 Novembro 2017

António Mexia afirma que o aumento recente dos custos de produção de eletricidade só pesará nos consumidores se as mudanças no setor da energia forem generalizadas à Península Ibérica.

No âmbito da Conferência Anual do BCSD 2017, António Mexia, afirmou que “o preço de Portugal é o preço espanhol”, pelo que o aumento dos custos de produção da EDP não deverá afetar diretamente os consumidores — embora reconheça os efeitos negativos nas receitas.

O preço português é o preço espanhol. Portugal é price taker. Não muda o preço ibérico“, garante António Mexia. Poderá ter efeitos no preço grossista, mas não é provável que chegue ao consumidor. “Vou ter de usar produtos cujo custo marginal não é zero”, diz Mexia, o que provocará naturalmente “menores receitas”, reconhece.

Durante a conferência, que se debruçou sobre o tema “Como crescer e criar emprego numa economia neutra em carbono?”, o gestor da EDP falou ainda de um desajuste de incentivos. “Penalizar exclusivamente o carvão em vez de impor uma taxa de CO2 que fosse mais neutra, e que afetaria mais quem utilize muito o carvão, é uma distorção do mercado que não é aconselhável“, afirmou Mexia.

Como explicação, falou dos preços do carvão, que se esperava que estivessem pelos 20 euros por esta altura (e há cerca de oito anos a expectativa seria os 100 euros por tonelada), diz, mas estão agora à volta dos oito euros por tonelada. Continua a consumir-se mais carvão do que gás natural, uma energia três vezes menos poluente.

A EDP adiantou esta quarta-feira que está a produzir significativamente menos energia hídrica. A energética produziu menos 40% em comparação homóloga. Para compensar as quebras na produção de energia hídrica, duplicou a produção a partir de carvão e gás natural. Como consequência, o custo médio da eletricidade vendida subiu 53% em comparação com os nove primeiros meses de 2016.

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