Mário Centeno: “A redução da dívida é absolutamente fundamental”

  • ECO
  • 9 Dezembro 2017

O ministro das Finanças assegura que a execução do Orçamento do Estado de 2018 está assegurada e que a sua eleição para o Eurogrupo não irá implicar mexidas na orgânica da sua equipa ministerial.

Absolutamente essencial“, é desta forma que Mário Centeno classifica a necessidade de reduzir o peso da dívida no PIB, esclarecendo que a execução orçamental para 2018 e a preparação do Orçamento para o ano seguinte estão asseguradas e que não estão previstas mudanças orgânicas no seu ministério no seguimento da sua eleição para o Eurogrupo. Estas são algumas das principais declarações de Mário Centeno ao Público (acesso condicionado) na primeira entrevista após a eleição para a presidência para o Eurogrupo.

Uma das questões que muito tem sido falada é a forma como a nomeação de Centeno para o Eurogrupo irá influir na futura atuação do governo liderado por António Costa. Neste campo, Centeno esclarece as dúvidas. “A execução do Orçamento de 2018 e a preparação do próximo estão asseguradas, como temos feito até aqui”, diz o titular da pasta das Finanças que acrescenta que “não haverá nenhuma alteração na orgânica da equipa ministerial das Finanças”. E vai mais longe, defendendo ser “natural que a escolha do ministro das Finanças de Portugal para este cargo ajude a reforçar a credibilidade do país”.

Um reforço de credibilidade que não está isento da continuidade das políticas internas, das quais a redução da dívida é considerada fundamental por Centeno, sobretudo para fazer face a mudanças na política do BCE. “Há algumas componentes que são essenciais para garantir que estamos prontos e evitar a situação em que as nossas economias — não só a portuguesa — estavam em 2008. No caso português, hoje em dia, há um indicador absolutamente essencial que é a redução do peso da dívida no PIB“, esclarece Mário Centeno.

Relativamente à mudança de opinião de Bruxelas face à sua atuação e do Governo, Centeno considera que “o ponto de viragem” na confiança, quer externo quer interno “foi quando o Governo conseguiu fechar o acordo com a Comissão para a Caixa Geral de Depósitos”. E remata: “Foi essencial a estabilização dos bancos e devemos boa parte do sucesso que tivemos a seguir a este processo”.

Uma janela de oportunidade

Quando questionado se após a sua nomeação a política continuará a ser a mesma, a ditada por Berlim, ou se estamos perante uma nova fase, Centeno disse estar convicto que em cima da mesa estará “uma janela de oportunidade”. “Há um novo desafio que tem que ver com a sincronização dos ciclos políticos na Europa. Temos uma oportunidade única porque estamos a viver um novo ciclo político, que começou em França, que está hoje a acontecer na Alemanha com as negociações do novo Governo”, disse a esse propósito.

Centeno referiu-se ainda o momento económico que a Europa atravessa, salientando que “o euro de 2008 e o euro de 2018 não são a mesma moeda“, acrescentando que as instituições ainda estão construídas de forma imperfeita, mas as suas bases são hoje mais sólidas“, e que a “Europa tem melhores indicadores do que os Estados Unidos e o Reino Unido”.

Relativamente à reforma do Euro, no sentido de que ocorra uma convergência, Centeno diz que “temos de ter muita paciência”. Tivemos as reformas. Agora temos de ter paciência para que essas reformas tenham efeito. E precisamos que a economia funcione depois das reformas, que foi coisa que ainda não deixámos que acontecesse totalmente”, diz a esse propósito o futuro líder do Eurogrupo.

(Notícia atualizada)

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