Simulações: quem sai a ganhar com o novo mínimo de existência de IRS?

  • Cristina Oliveira da Silva
  • 15 Dezembro 2017

O chamado mínimo de existência do IRS vai passar a depender do Indexante dos Apoios Sociais, cujo valor para 2018 já pode ser calculado. Veja as simulações.

O mínimo de existência do IRS vai aumentar em 2018 para 9.006,9 euros, contra os atuais 8.500. Quer isto dizer que mais contribuintes serão beneficiados por este limiar que, na prática, garante que rendimentos inferiores não pagam imposto.

A partir de 2018, e de acordo com as alterações previstas no Orçamento do Estado, o chamado mínimo de existência passa a estar ligado ao Indexante dos Apoios Sociais (IAS), quando hoje tem um valor fixo de 8.500 euros. Em concreto, passará a corresponder a 1,5 IAS, não podendo ficar abaixo, por titular, do salário mínimo. E também passa a abranger recibos verdes.

Já é possível antecipar o valor do IAS em 2018, depois de o Instituto Nacional de Estatística (INE) ter divulgado esta quinta-feira o dado da inflação que serve de base ao cálculo. O IAS vai avançar 1,8%, para 428,9 euros. Portanto, tendo em conta 14 meses, 1,5 IAS corresponde a 9.006,9 euros.

Até aqui, o mínimo de existência protegia salários mensais até 607,14 euros (8.500 euros anuais), mas o valor aumenta então para 643,35 euros. Mas mesmo rendimentos um pouco acima podem poupar no IRS a pagar.

Simulações

O ECO pediu à EY para simular o impacto do novo mínimo de existência. No caso de um contribuinte solteiro, sem filhos, e com 250 euros de deduções à coleta por despesas gerais familiares, o novo limiar acaba por beneficiar salários até 9.545 euros por ano, cerca de 681,8 euros por mês. Até este montante, é possível estar isento de IRS ou poupar no imposto.

Um trabalhador dependente com um rendimento bruto de 8.700 euros está isento de imposto ao abrigo do novo mínimo de existência mas, com as regras que ainda vigoram, teria de pagar 200 euros — ainda assim, poupando 216,42 euros com a existência deste limiar, avançam as simulações baseadas nos mesmos pressupostos.

No caso de um rendimento dependente de 9.000 euros brutos, o atual mínimo de existência já não traz qualquer poupança — o contribuinte paga 459,92 euros de IRS. Com o novo limiar, paga zero.

Tomando por base os mesmos pressupostos, um salário anual de 9.300 euros brutos paga, com as regras atuais, 503,42 euros mas no futuro o IRS é de 293,10 euros. Ou seja, com o novo mínimo de existência poupa 210,32 euros.

A poupança deixa de existir quando se atinge um rendimento anual de 9.545 euros. Aos 9.600 euros, por exemplo, o contribuinte tem de pagar 546,92 euros de IRS, tanto com o atual, como com o futuro mínimo de existência.

Fonte: EY 1 – As presentes simulações foram efetuadas com base nas regras fiscais em vigor à data de preparação dos cálculos, incluindo a consideração do mínimo de existência de Euro 8.500 para 2017 (correspondente ao rendimento bruto líquido de IRS) e a consideração do aumento deste valor mínimo para Euro 9.006,90 no ano 2018, tendo como pressuposto uma subida no valor do IAS em 2018 para Euro 428,90, tendo por base os valores que nos foram providenciados pelo ECO. 2- O cálculo do IRS a pagar foi efetuado considerando exclusivamente a situação de solteiro, sem dependentes, e considerando apenas a dedução à coleta por despesas gerais familiares.

 

(Notícia atualizada)

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Simulações: quem sai a ganhar com o novo mínimo de existência de IRS?

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião