Unitel financiou Isabel dos Santos para esta controlar a Zon. Oi classifica transações de “irregulares”

  • ECO
  • 17 Dezembro 2017

A empresária angolana usou 360 milhões de euros da Unitel, uma empresa angolana, para comprar ações da Zon, o que levou à fusão com a Optimus. Nascia assim a Nos, parceria com a Sonae.

Isabel dos Santos financiou-se junto da Unitel para controlar a Zon e, mais tarde, avançar para a fusão com a Optimus para criar a Nos em parceria com a Sonae. Foi a maior operadora móvel angolana quer emprestou 360 milhões de euros a uma sociedade controlada pela mulher mais rica de África, dos quais 300 milhões de euros serviram para comprar ações da Zon, segundo o Público deste domingo. A operação é contestada pela Oi.

Em apenas um ano, Isabel dos Santos recorreu sete vezes a empréstimos da Unitel. Foi entre maio de 2012 e agosto de 2013 que a empresária se financiou para investir no mercado de telecomunicações de Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Os sete empréstimos a dez anos totalizam 360 milhões de euros.

O diário teve acesso a contratos entre a Unitel SA e a Unitel Internacional Holdings — sociedade de direito holandês que é exclusivamente controlada pela empresária e através da qual detém a ZOPT que, por sua vez, controla a Nos — que mostram os financiamentos acordados que tiveram como objetivo comprar 58 milhões de ações da Zon, tendo passado a controlar 28,8% do capital.

Questionada pelo Público, Isabel dos Santos não esclareceu, até ao momentos, se algum dos empréstimos foi reembolsado. Mas fonte oficial da Unitel SA garantiu que “todos os empréstimos e transações financeiras são legítimos e legais e refletidos nos relatórios de contas da Unitel e encontram-se devidamente auditados pelo auditor externo PwC”.

Isabel dos Santos detém 25% da Unitel e é a presidente do conselho de administração da operadora. Segundo o diário, nos contratos, Isabel dos Santos tanto assina em representação da Unitel Internacional Holdings como da Unitel, a entidade que financia. Estas transações são contestadas pela operadora brasileira Oi que, através da PT Ventures, é acionista da Unitel.

“Na visão da PT Ventures os empréstimos feitos à Unitel International Holdings BV, parte relacionada de um dos acionistas da Unitel, não contaram com as devidas aprovações societárias, sendo portanto transações irregulares”, acusou fonte oficial da Oi, assinalando que os empréstimos “foram feitos em condições muito mais vantajosas que aquelas praticadas no mercado”. O caso corre num processo arbitral na Câmara de Comércio Internacional de Paris.

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