Bitcoin a mil dólares? Esta e mais nove previsões… improváveis para 2018

2017 poderia ter sido terrível nos mercados, mas não foi. E 2018? Há previsões e, depois, há previsões improváveis. Dificilmente acontecerão, mas... podem causar estrondo se virem a luz do dia.

A bitcoin está a causar furor. A forte valorização concentra, neste final de ano, as atenções dos investidores. São muitos os que esperam que a ascensão meteórica possa continuar. Mas vai mesmo? O Saxo Bank vê a divisa nos 60 mil, antes de ser atirada aos lobos. Esta é apenas umas das dez previsões improváveis para 2018, que antecipam ainda um flash crash do S&P 500, a Tencent a destronar a Apple nas empresas mais valiosas e o barril de petróleo… negociado em yuans.

Até aos 60 mil e… depois afunda até aos 1.000 dólares

As criptomoedas deixaram de ser uma coisa de geeks. Com a valorização registada pela bitcoin, bem como por outras moedas virtuais, passaram a centrar atenções no mundo financeiro. Há já muitos investidores que procuram lucrar com a febre, juntando-se muitos mais a cada marco que a bitcoin vai superando. Está nos 17 mil dólares, mas pode subir muito mais. Quanto? Até aos 60 mil dólares, diz o Saxo Bank que prevê, assim, que a moeda multiplique por mais 3,5 vezes o seu valor.

Há muito dinheiro virtual a ganhar, mas será preciso ter cuidado. A Rússia e a China podem levar os investidores da febre ao desespero. A Rússia lança a sua própria divisa virtual, afastando o foco da bitcoin, isto ao mesmo tempo que a China proíbe que se mine criptomoedas, decisão justificada com o desperdício de energia que provoca, antevê o Saxo Bank. Mas, ao mesmo tempo, lança a sua própria divisa, arrasando o interesse noutras divisas, levando à queda abrupta do valor da bitcoin. No final do próximo ano, valerá cerca de 1.000 dólares, quase tanto quanto o custo de produção, segundo a previsão improvável do banco de investimento dinamarquês.

Pedro Lino reconhece a ameaça, mas diz que há outra mais importante. “A regulação será a grande ameaça à bitcoin que se pode tornar na face economia paralela digital, uma vez que existem questões relacionadas com o branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo que terão, mais cedo ou mais tarde, de ser abordadas pelos diversos reguladores, bem como o anonimato que protege os utilizadores e transações”, diz Pedro Lino, da Dif Broker. Assim, enquanto a regulação permanecer branda, “as moedas digitais irão continuar o seu caminho meteórico“.

Queria um barril de petróleo. Posso pagar em renminbis?

A China é o maior importador de petróleo do mundo. E com os EUA a perderem alguma da sua influência a nível internacional, a Shanghai International Energy Exchange vê uma oportunidade: depois de várias matérias-primas passarem a ser negociadas na moeda chinesa, vem aí o barril de petróleo… em renminbis, diz o Saxo Bank.

O domínio do dólar nas matérias-primas vem de há muito, mas pode terminar no próximo ano. Com o West Texas Intermediate, negociado nos EUA, a ser suplantado pelo Brent, negociado em Londres, como referência mundial, a China vê uma oportunidade de passar a transacionar a matéria-prima que tanto precisa sem os riscos cambiais, passando a negociar em renminbis.

“É possível que os primeiros contratos de futuros de petróleo em renminbi sejam um sucesso, e que contribuam para aumentar o peso da moeda chinesa nas trocas comerciais mundiais“, comenta Pedro Lino. “No entanto o Banco Central da China tem como uma missão a estabilização do cambio pelo que uma subida do Yuan nos mercados internacionais será aproveitada para a reposição de reservas cambiais, reduzidas no último ano devido às intervenções no mercado”.

“Esta valorização da moeda chinesa e desvalorização do dólar traria uma maior tração às economias em desenvolvimento que estão dependentes do financiamento em dólares americanos, pelo que neste cenário, poderia ser um bom investimento”, remata o CEO da Dif Broker.

Flash… mas não é o Gordon. Vem aí um crash

Os mercados financeiros vão atravessar uma tempestade perfeita, quem o diz é o Saxo Bank. O VIX, o índice que reflete o medo dos investidores através da volatilidade das ações, vai atingir mínimos históricos, o que se traduzirá num aumento de confiança por parte dos investidores. Somado a isto, os preços das ações e do imobiliário irão bater máximos sucessivos, numa altura em que os bancos centrais continua a alimentar artificialmente o mercado.

Assim, na existência de um acontecimento mais marcante, um verdadeiro choque, será desencadeado um flash crash de 25% no principal índice de referência mundial — S&P 500, que lembrará o crash ocorrido em 1987, marcado pelas perdas de 22,61% do industrial Dow Jones.

E, como diz Pedro Lino, “caso exista um flash crash de 25% no S&P 500, poderemos ficar numa situação idêntica à de 2008, com a falência de um grande banco à espreita. Neste momento os investidores estão sobre confiantes e um crash desta dimensão iria dizimar os investidores que ficariam a dever dinheiro aos intermediários financeiros devido ao efeito de alavancagem. Simultaneamente, quem tivesse comprado volatilidade teria ganhos muito elevados, uma vez que estamos em valores historicamente baixos”.

Esquerda ao poder nos EUA. E a dívida?

O Saxo Bank tem outra previsão quanto ao futuro das taxas de juro norte-americanas: a mudança partidária radical da população dos Estados Unidos. O banco dinamarquês acredita que, nas eleições intercalares de 2018, os eleitores americanas mudarão as suas convicções e tornar-se-ão adeptos do socialismo democrático, “virando-se” para a Esquerda.

Steve Bannon, ex-assessor político de Donald Trump, disse numa entrevista que os eleitores terão de fazer essa escolha — entre populismo de direita e de esquerda, apenas em 2020. No entanto, o Saxo Bank acredita que não será preciso tanto tempo até isso acontecer, pois já em 2018 poderá surgir uma campanha do partido democrata para recuperar as duas Câmaras do Congresso, e tudo devido à maioria dos cidadãos norte-americanos serem “millennials”, ou seja, terem nascido após 1980.

Neste contexto, o banco de investimento prevê que os Democratas mudem de discurso. De uma reforma fiscal, passa-se para um programa de estímulos para as massas. O “verdadeiro populismo” leva a despesa a disparar. O défice norte-americano acelera, a dívida entra em espiral. E os juros das Treasuries? Dispara para lá da fasquia dos 5%.

Euro em perigo. Há uma nova força na Europa

O ano de 2017 ficou marcado por várias tensões políticas e humanas entre a Europa Ocidental e a Europa Oriental. No entanto, para 2018, o Saxo Bank prevê que o cenário se agrave ainda mais. Emmanuel Macron irá convencer a Alemanha e ainda os três países do Benelux — Bélgica, Holanda e Luxemburgo, a unirem-se.

No entanto, aproveitando a fragilidade destes países, será criado um novo grupo pro-estímulos e anti-emigrantes, com 13 nações, entre eles a Áustria, Eslovénia, Itália e Hungria, que tentará bloquear a influência do primeiro grupo na União Europeia. Com isto, será gerado, nos mercados financeiros, um sentimento de receio nos investidores, o que levará a uma desvalorização do euro. O Saxo Bank vê nas suas previsões improváveis uma queda da divisa única até à paridade com o dólar. Está, atualmente, a 1,1757 dólares.

Adeus, Apple. Olá, Tencent, a nova rainha da bolsa

A Tencent tornou-se a primeira empresa chinesa a valer mais de 500 mil milhões de dólares (425,46 mil milhões de euros), ultrapassando o Facebook. Este ano, a empresa mundialmente conhecida pela sua rede social WeChat registou um crescimento de 120%, escalando até ao top 5 das cinco maiores empresas do mundo em capitalização bolsista.

Atualmente, a Tencent está avaliada em cerca de 470 mil milhões de dólares (397,9 mil milhões de euros), no entanto, o Saxo Bank prevê que, para 2018, a chinesa consiga correr mais rápido e ultrapassar todas as que estão à sua frente, nomeadamente a Apple. A empresa fundada por Steve Jobs vale, atualmente, cerca de 890 mil milhões de dólares (753,4 mil milhões de euros) mas, mesmo que consiga atingir o bilião de dólares com a venda do iPhone X, o banco dinamarquês aposta que a tecnológica chinesa possa vir a ser a nova rainha da bolsa.

Este desempenho bolsista, que a permitirá suplantar a Apple, é justificado por, para além do modelo de negócio adotado pela empresa, pela transição da China para uma economia mais orientada para o consumo.

Mulheres à cadeira do poder… das maiores empresas

Em 2018, o mundo empresarial será das mulheres, quem o diz é o Saxo Bank. Nas últimas gerações, as universidades norte-americanas formaram cerca de 50% mais mulheres do que homens a nível de licenciatura e, atualmente, quase metade dos graduados nas empresas são mulheres. Também no que diz ao poder de voto nos países desenvolvidos, há uma diferença de entre 7% a 10% do número de mulheres que votam, em comparação com o número de homens.

De acordo com uma relatório divulgado em 2015 pela McKinsey & Company, as melhores práticas em termos de igualdade de género adicionariam mais 12 biliões de dólares, o correspondente a 10%, para o PIB do mundo até 2025. E se houvesse realmente uma igualdade de género, a poupança seria de 28 biliões de dólares, o equivalente a um ano completo do PIB norte-americano mais o chinês.

Perante estes números, o banco dinamarquês estima que no futuro sejam as mulheres a liderar as maiores empresas. E prevê que já em 2018, as mulheres possam ocupar mais de 60 lugares de topo em empresas do Fortune 500 — as 500 maiores empresas do mundo.

Powell ao comando de uma Fed… sem poder

Após perder a independência durante a Segunda Guerra Mundial, altura em que assistiu a taxas de juro estabelecidas pelo Governo, a Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) recuperou essa independência em 1951. O certo é que, durante os seus 104 anos de existência, sempre mostrou várias oscilações na sua forma de lidar com essa independência.

No entanto, no caso de existência de um flash crash, como prevê o Saxo Bank, o mais certo é que a Fed perca novamente a sua independência. Uma fraca economia, juntamente com uma taxa de inflação e juros elevados deixarão a Reserva Federal impotente quanto à sua política monetária. Será culpada pelos partidos políticos pelo fraco desempenho da economia.

Para manter a despesa, mas também a taxa de crescimento ao mesmo tempo que procura estabilizar os mercados de dívida, o Tesouro norte-americano faz o que fez durante a 2ª Grande Guerra, impondo um teto de 2,5% nas taxas das Treasuries após um pico nos juros dos EUA.

“Caso a Fed perca a sua independência e o Tesouro decida emitir dívida a longo prazo a taxas de 2,5%, pode correr o risco de não conseguir colocar toda a dívida necessária no mercado, o que traria instabilidade aos mercados obrigacionistas e acionistas”, explica Pedro Lino, da Dif Broker. “Nesse caso, a Fed seria obrigada a voltar atrás no seu objetivo e comprar o remanescente das obrigações que os investidores privados e institucionais não quisessem, financiando diretamente o Tesouro americano”.

Japão às voltas com os juros da dívida

O Japão passa os dias numa luta constante para conseguir travar a valorização da moeda — o iene –, tentando mantê-la estável face aos restantes blocos. Como diz Pedro Lino: “o Banco do Japão tem sido um dos bancos mais ativos do mundo, comprando desde ações, a ETF de índices, obrigações e ETF de imobiliário”.

No entanto, no caso de uma subida acentuada das taxas de juro noutros blocos económicos, como prevê o Saxo Bank, o iene irá desvalorizar face ao dólar, o que irá fazer o país reverter as medidas que tem adotado até agora. Acabará por ver-se forçado a avançar com um programa de estímulos convencional, de forma a evitar que os juros da dívida entrem numa espiral que fique fora de controlo.

Com esta reversão do programa de estímulos, o iene vai conseguir bater nos 150 mas, conseguirá retornar aos 100. Com isto, “teremos a bolsa japonesa a bater máximos históricos nos 35 mil pontos, o que será uma escalada espetacular”, diz Pedro Lino.

No entanto, alerta o CEO da Dif Broker, a “China e os países vizinhos iriam protestar contra este estímulo monetário e apoio à industria exportadora, pelo que, ao iniciar a subida das taxas de juro e abandonar a sua política de taxa zero nas obrigações a 10 anos, a bolsa iria ressentir-se com possibilidade de crash.

Primavera Africana. Quem ganha? A África do Sul

Após a Primavera Árabe de 2010/2011, esperava-se um período de paz e acalmia para os países africanos e do Médio-Oriente. No entanto, seis anos depois, são várias as tensões vividas um pouco por todas essas regiões. A inflação egípcia e a elevada taxa de desemprego turca aliam-se às recentes polémicas no Zimbabué, na África do Sul e na República Democrática do Congo, marcadas pelas destituições de órgãos do poder.

Então, de acordo com as previsões do Saxo Bank, para tentar colmatar as consequências que estão e poderão ainda vir a surgir com estes acontecimentos, várias comunidades internacionais poderão avançar com investimentos na região, confrontadas pelas perspetivas de atraso no crescimento destas economias emergentes.

Os efeitos não tardarão até começarem a ser sentidos nas três maiores economias africanas: o Zimbabué conseguirá recuperar da elevada inflação, enquanto a República Democrática do Congo atingirá um recorde de 10 mil milhões de dólares em Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), principalmente nas reservas de cobalto do país. Mas, quem sairá mais a ganhar com tudo isto será a África do Sul, com o Rand, a moeda do país, a brilhar. Poderá registar uma valorização de 30% face às divisas dos outros países.

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