Alberto Castro reconhece que Banco de Fomento foi demasiado ambicioso

O chairman do Banco de Fomento, no fim de três anos de mandato, elencou os problemas com que a instituição se depara. E adiantou: "Com o que já foi listado era difícil que funcionasse à primeira".

Alberto Castro, chairman da Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), vulgo Banco de Fomento reconhece que a instituição ficou aquém dos objetivos traçados. “Ficámos aquém do que queríamos. Queríamos certamente mais. Fomos demasiados ambiciosos”, referiu o gestor.

O presidente do IFD que falava no Palácio do Freixo, na conferência sobre capitalização de empresas organizado pela instituição adiantou que não estava ali para fazer um balanço da instituição, acabado que está o mandato, mas em jeito de reflexão pessoal sempre foi dizendo o que no seu entendimento não funcionou e o que terá causado problemas ao arranque da instituição, que tem sede no Porto. Entre as dificuldades, Alberto Castro aponta o dedo “às múltiplas entidades que a IFD tem de reportar ou de atender, desde o incontornável Banco de Portugal até ao Tribunal de Cotas, cujas boas intenções têm implicações práticas difíceis de explicar ao mercado obrigando a tutela a diligências e esforços, com custos de oportunidade não negligenciáveis”.

Alberto Castro referiu mesmo que “com o que já foi listado era difícil que funcionasse à primeira“. Para o chairman do Banco de Fomento o que se tem assistido é uma prova de vida da própria instituição. “Perante este conjunto de circunstâncias, fomos demasiado ambiciosos. Mais a mais porque éramos – e ainda somos poucos”. E para provar o que dizia acabou mesmo por enumerar todos os elementos da equipa, um a um.

Neste seu “balanço pessoal”, Alberto Castro não esqueceu a tutela. “São conhecidas as dificuldades que a gestão das empresas públicas não raras vezes encontra. O caminho percorrido, as dificuldades experimentadas, os erros cometidos, a aprendizagem que foi sendo feita — inclusive pela própria tutela — merecem uma análise cuidada para que se retirem as lições adequadas”.

Alberto Castro frisou ainda que: “Não será por acaso que os únicos sobreviventes da Administração Central são quatro não executivos“. Apesar de dizer que talvez não seja matéria para fazer um caso de estudo, a verdade é que “há muito a contar aos vindouros e não só”.

O Banco de Fomento foi criado pelo Executivo de Pedro Passos Coelho com o objetivo de colmatar as insuficiências de mercado em especial no financiamento da pequenas e médias empresas e mid caps (empresas de média capitalização).

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