Exclusivo Presidente do banco de fomento apresenta demissão

José Fernando Figueiredo já abandonou o cargo. Henrique Cruz, do Fundo de Estabilização da Segurança Social, e Ana Beatriz Freitas, a nova presidente da SPGM, vão integrar o board da instituição.

José Fernando de Figueiredo já não é o presidente da Instituição Financeira de Desenvolvimento, mais conhecida como banco de fomento. O ex-presidente da Sociedade de Garantia Mútua abandonou o cargo no final de junho. Henrique Cruz, do instituto que gere o Fundo de Estabilização da Segurança Social, e Ana Beatriz Freitas, a nova presidente da Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua passam a integrar o board da Instituição, segundo apurou o ECO. O chairman Alberto Castro mantém-se em funções.

O Ministério da Economia confirmou ao ECO a saída de José Fernando de Figueiredo, mas não quis fazer mais comentários.

Na mensagem que surge como resposta automática no correio eletrónico de José Fernando de Figueiredo, o responsável explica que “a partir de 1 de julho de 2017, deixo as minhas funções de presidente executivo da IFD”. José Fernando de Figueiredo aproveita a missiva para agradecer o “apoio e parceria ao longo destes dois anos e meio no lançamento do chamado ‘banco de fomento'” e lembra que a instituição “está agora plenamente operacional, com todas as licenças bancárias, sistemas, equipa inicial”.

Segundo o até agora responsável da IFD, a instituição conseguiu operacionalizar “várias linhas de crédito com garantia mútua, para investimento, seja de business angels, capital de risco e capital reversível”, linhas essas alimentadas pelos fundos do Portugal 2020 provenientes dos vários Programas Operacionais. Ou seja, uma linha de crédito de mil milhões de euros para investimento, lançada em janeiro, uma linha de 33 milhões para business angels que até já teve uma segunda fase de candidaturas que poderá fazer chegar às startups mais 60 milhões de euros.

Mas nesta curta mensagem, José Fernando Figueiredo acaba por revelar que o bloqueio que se verificava ao nível da linha de capital de risco foi ultrapassada, e assinados os contratos de 220 milhões de fundos de capital de risco, isto depois de alguns candidatos terem impugnado a decisão inicial e que acabou por atrasar o processo durante meses. A primeira expectativa era a de que o problema seria ultrapassado em fevereiro de 2017, sendo que o concurso fora lançado em maio de 2016.

Por outro lado, a IFD também ultrapassou um marco ao conseguir obter “financiamento internacional de muito longo prazo, a repassar à economia através do sistema financeiro nacional (on lending e arrangement)”, um alargamento de competências que poderá ir além de 31 de dezembro de 2020.

Por fim, a missiva que o até agora presidente da IFD revela que há “uma primeira operação com o Banco Europeu de Investimento em fase de conclusão”. Uma operação que, sabe o ECO, consiste numa linha de crédito de 500 milhões de euros, de um programa global de mil milhões.

A gestão integrada da holding que gere os vários instrumentos financeiros relacionados com o financiamento da Economia: Portugal Ventures, Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua, PME Investimento e Sofid, também conhecida como a terceira e última fase na constituição da IFD ficou por concluir.

Recorde-se que José Fernando de Figueiredo começou por ser afastado da presidência da Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua, cargo que ocupava há nove anos, tendo sido substituído por Ana Beatriz Freitas, adjunta do ministro da Economia. José Fernando de Figueiredo não quis alimentar qualquer polémica com a sua substituição. “Foi uma indicação dos acionistas. Não tenho estados de alma sobre as decisões dos acionistas. Portanto, estou absolutamente sereno e tranquilo”, disse o responsável que estava na SPGM desde a sua fundação, quando ainda era liderada por José António Barros, que veio depois a assumir a liderança da AEP.

Entre as razões para a demissão de José Fernando de Figueiredo pode estar também a reprogramação do Portugal 2020, que vai acontecer este ano, e que deverá representar uma redução das verbas destinadas aos instrumentos financeiros e à IFD, isto porque a falha de mercado que justificou a sua criação já começa a ser suprida pela banca comercial, mas também porque o atual Executivo considera que foi dado um peso excessivo aos instrumentos financeiros neste quadro comunitários de apoio.

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