PT reafirma que Lula é o candidato do partido à presidência

  • Lusa e ECO
  • 25 Janeiro 2018

Ainda que Lula da Silva tenha sido condenado a 12 anos e um mês de prisão na 2.ª instância, o Partido dos Trabalhadores reafirma a confiança no antigo governante. Lula aceitou oficialmente.

O Partido dos Trabalhadores (PT) confirmou a sua intenção de lançar o antigo chefe de Estado Luiz Inácio Lula da Silva como seu candidato nas eleições presidenciais do Brasil previstas para outubro. A liderança nacional do partido reuniu-se em São Paulo no final da manhã desta quinta-feira para confirmar Lula da Silva como seu candidato, após este ter sido novamente condenado pela Justiça, agora em 2.ª instância, na quarta-feira.

“Estamos aqui para reafirmar a candidatura de Lula e ele será o nosso candidato”, disse a presidente do PT, Gleisi Hoffmann. O encontro da liderança do PT realizou-se na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior união sindical do Brasil, na presença de Lula da Silva e da ex-Presidente Dilma Rousseff. À chegada ao local, Lula foi recebido por ativistas a cantar “Lula guerreiro do povo brasileiro!”.

A reunião acontece um dia depois de três magistrados de Porto Alegre confirmarem por unanimidade, num julgamento de 2.ª instância, que Lula a Silva é culpado da prática dos crimes de corrupção passiva e branqueamento de capitais por aceitar um apartamento de luxo de uma empresa de construção civil chamada OAS. Os magistrados também aumentaram a pena de prisão a que Lula tinha sido condenado na 1.ª instância, de nove anos e meio para doze anos e um mês.

Por enquanto, Lula da Silva está livre para fazer campanha e a decisão da Justiça não reduziu a zero as possibilidades de concorrer a um terceiro mandato na Presidência do Brasil porque os seus advogados dispõem de várias possibilidades de recurso. Só depois de todos esses recursos se esgotarem é que Lula da Silva pode ser declarado inelegível e possivelmente ser preso. “As próximas duas semanas serão cruciais”, disse o advogado Eugénio Aragão quando explicou a estratégia de defesa de Lula da Silva no início da reunião do PT.

“Agora eu quero ser Presidente da República”, reafirmou Lula da Silva ao falar sobre o julgamento, que foi descrito pelos seus apoiantes como uma “farsa judicial”, que também se tornou assunto de muitos comentários da imprensa brasileira. O PT anunciou a decisão de lançar Lula da Silva esta quinta-feira, mas apenas o poderá fazer oficialmente depois do dia 20 de julho, de acordo com a legislação eleitoral.

O jornal O Globo escreveu que “Lula sofreu a pior derrota de seu curso político” e que “está mais perto da prisão do que do Palácio de Planalto”, sede da Presidência da República, em Brasília. A sua “candidatura é quase uma miragem”, lê num editorial. Para o jornal O Estado de S. Paulo “o resultado de 3-0 (no julgamento em Porto Alegre) deve ser suficiente para convencer os simpatizantes do PT a finalmente pararem de ver [Lula da Silva] como um mártir da democracia brasileira”.

O encontro da liderança do PT também visa que o partido, uma das formações políticas mais representativas do Brasil durante os anos da Presidência de Lula da Silva (2003-2010), tente subir a autoestima dos seus militantes. Isto porque a destituição de Dilma Rousseff em 2016, a queda sofrida nas eleições regionais no mesmo ano e os casos de corrupção em torno do ex-Presidente abalaram a militância. Atualmente, o partido tem 57 deputados da câmara baixa, num total 513 assentos, sendo a segunda maior bancada.

Nas eleições deste ano todas as esperanças do PT assentam em Lula da Silva, a única figura emergente à esquerda e o único candidato no qual, de acordo com as sondagens, um terço dos eleitores brasileiros estaria disposto a votar. De acordo com alguns analistas, o PT está a pensar num Plano B, caso a candidatura presidencial de Lula, seja legalmente impedida, lançando o ex-ministro Jacques Wagner ou o ex-presidente da câmara de São Paulo Fernando Haddad.

Lula aceita candidatura

Lula da Silva aceitou oficialmente ser o pré-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) nas próximas presidenciais do Brasil. “Aceito a indicação de ser o pré-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT)”, disse Lula da Silva durante a mesma reunião. No entanto, Lula acrescentou que existem “outros candidatos e que vão tentar criar obstáculos”.

“Espero que a candidatura [do PT] não dependa de Lula, só faz sentido se vocês forem capazes de fazer [a campanha], mesmo que haja um facto indesejado”, salientou. Lula da Silva, de 72 anos, também enfatizou que a sua candidatura não foi lançada para se “proteger” da Justiça, mas para “governar e recuperar” o Brasil”. “Sem qualquer arrogância, digo que quero ser candidato para vencer as eleições”, reiterou.

Lula da Silva, que lidera todas as sondagens de intenção de voto, voltou a dizer que o PT é “vítima de uma trama premeditada” e reiterou que o tribunal de 2.ª instância condenou um “inocente” que não cometeu “nenhum crime”.

(Notícia atualizada às 17h25 com a informação de que Lula aceitou a candidatura)

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