Champalimaud: “Estamos nos CTT para ficar para sempre”

  • ECO
  • 27 Janeiro 2018

O maior acionista dos CTT ataca os partidos que querem a nacionalização e os sindicatos. Manuel Champalimaud diz que a política de dividendos tem de mudar, mas que está na empresa para ficar.

É o maior acionista dos CTT com 12,43% do capital. E está para ficar. A garantia é dada por Manuel Champalimaud, fundador da Gestmin, em entrevista do Expresso deste sábado [acesso pago] numa altura em que as ações da empresa estão em queda e existe incerteza quanto ao futuro dos dividendos. O acionista garante que o investimento é “estratégico”, mas admite que a empresa terá de mudar profundamente.

Neste momento, os CTT enfrentam um plano de reestruturação que não está a ser bem recebido pela população e pelos trabalhadores. Um caso que também já passou pela política com a esquerda a pedir a nacionalização dos correios. “Há aproveitamento político pernicioso, é caça ao voto”, ataca o empresário, criticando também os sindicatos pela “falta de qualidade”.

Para Manuel Champalimaud é claro que é preciso continuar a fazer mudanças: “Uma coisa é certa, os CTT, quer queiram quer não, ou se modificam e daqui a cinco anos estão totalmente diferentes ou desaparecem”, afirma, referindo que “os CTT têm de estar irreconhecíveis daqui a cinco anos“.

Há aproveitamento político pernicioso, é caça ao voto.

Manuel Champalimaud

Presidente do Grupo Gestmin

Champalimaud admite que houve “desagrado” com a administração “quando foram feitos num ano dois profit warnings (revisão em baixa das previsões dos lucros”, provas de falhas internas de controlo, de gestão e de conhecimento”. “Os acionistas estão descontentes com a evolução da cotação e com o profit warning, isso é inegável e indiscutível“, alerta. Porém, o fundador da Gestmin garante que “agora está tudo tranquilo e confortável”.

Qual é, então, o futuro dos CTT? “As encomendas e a área financeira“, resume, destacando a oportunidade do Banco CTT. Esse futuro será também marcado pelas novas exigências da Anacom. Manuel Champalimaud diz que o que o regulador quer “é uma fórmula impossível”. “O que vai acontecer se se chegar a implementar o que a Anacom quer é destruir valor, e as minhas ações descem”, admite. Para o empresário é claro que “se querem oferecer o serviço universal (naqueles moldes) vai ter de ser outra empresa a prestá-lo e o contribuinte a pagar”.

Também para o futuro, deixa um aviso aos restantes acionistas: “Não é desejável que os dividendos ultrapassem o lucro, 2016 foi um evento único não recorrente“. Champalimaud garante que a empresa não está endividada nem precisou de financiar-se para cumprir a promessa feitos aos acionista sobre os dividendos. Contudo, alerta que continuar com essa política não é “boa gestão”.

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