Santa Casa pode dar 160 milhões, mas por 6% do Montepio
O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa queria um desconto, mas há um hipótese em cima da mesa que encarece o preço a pagar pela entrada no capital do banco.
A Santa Casa poderá vir a pagar mais que o previsto para entrar no capital do Montepio. Inicialmente, o investimento deveria ser de 200 milhões de euros, o que corresponderia a 10% do capital do banco. Contudo, segundo o Expresso deste sábado [acesso pago], há agora outra possibilidade em cima da mesa: A SCML poderá vir a pagar 160 milhões de euros por 6% do capital, o que encarece o negócio.
No início do mês, quando esteve no Parlamento, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Edmundo Martinho, falou da possibilidade de um “desconto” no preço das ações do Montepio. Disse ainda que a entrada no banco pode ser “faseada”. No entanto, o semanário revela que o negócio pode vir a ser mais caro face ao valor inicialmente falado.
Caso a avaliação inicial de 200 milhões de euros por 10% fosse correta — ainda decorre a auditoria do Haitong à Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) –, o banco estaria avaliado em dois mil milhões de euros, um valor superior ao do BPI, por exemplo. Se a percentagem descesse para 6%, a SCML teria de pagar 120 milhões de euros.
Porém, o novo valor em cima da mesa de 160 milhões de euros por 6% do capital valoriza ainda mais o Montepio. Assim, a valorização total do banco seria superior a 2,6 mil milhões de euros. Fonte próxima do Montepio disse ao Expresso que “como este é um negócio essencialmente político, nunca se sabe em que termos e quando poderá acontecer”.
Na audição no Parlamento, o provedor da Santa Casa previa que o negócio deveria estar fechado até ao final deste mês, mas isso parece estar longe de acontecer. O Haitong está à espera das contas de 2017 do banco, o que só deverá ser entregue em março. Além disso, há duas semanas foi notícia que a Associação Mutualista — o único acionista do banco — terá recusado facultar informação aos analistas do Haitong para fazer uma análise mais completa da situação financeira.
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