Sindicato desiste da greve na Autoeuropa para não prejudicar negociações

  • Lusa
  • 30 Janeiro 2018

Sindicato mais representativo na Europa suspendeu greve aprovada em plenário para não prejudicar processo negocial em curso. Operários esperam chegar a um acordo. Caso contrário, admitem fazer greve.

O coordenador do SITESUL, sindicato mais representativo na Autoeuropa, afirmou, esta terça-feira, que não foi emitido o pré-aviso de greve para 2 e 3 de fevereiro na fábrica de Palmela “para não prejudicar as negociações em curso com a administração.

“Não emitimos nenhum pré-aviso de greve porque está em curso um processo negocial. Esperamos que seja possível chegar-se a um acordo“, disse o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul, Eduardo Florindo. Mas “se não houver entendimento entre as partes, admitimos a possibilidade de serem adotadas algumas formas de luta. E não excluímos a possibilidade de uma greve”, acrescentou.

Os trabalhadores da Autoeuropa tinham aprovado em plenário a realização de uma greve, a 2 e 3 de fevereiro, em protesto contra o novo horário com trabalho obrigatório ao sábado, mas os sindicatos decidiram esperar pelo fim das negociações em curso entre as duas partes.

Para a próxima quinta-feira estão marcadas novas reuniões plenárias em que a Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa deverá fazer um ponto de situação sobre as negociações do caderno reivindicativo.

A administração e Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa não revelam eventuais progressos nas reuniões que têm realizado quase todos os dias, mas, segundo o SITESUL, os trabalhadores reclamam um aumento salarial de 6,5% (para os próximos dois anos) e a administração da empresa propõe um aumento de 3% em 2018 e de 2% em 2019.

Com o novo horário transitório em vigor desde segunda-feira, os trabalhadores da Autoeuropa cumprem no próximo fim de semana o primeiro sábado com trabalho obrigatório, um dos principais motivos do conflito laboral que se arrasta desde agosto do ano passado na fábrica de automóveis de Palmela.

No passado mês de dezembro, após a rejeição de dois pré-acordos negociados previamente com a Comissão de Trabalhadores, mas que foram rejeitados pela maioria dos funcionários, a Autoeuropa anunciou um novo modelo de trabalho de 17 turnos semanais, assegurando que o novo horário cumpria a legislação em vigor e garantia a produção a dois turnos aos sábados.

Apesar das garantias dadas pela empresa de que vai pagar os sábados com um acréscimo de 100% em relação ao valor pago por um dia normal de trabalho, a Comissão de Trabalhadores e o sindicato mais representativo na empresa, o SITESUL, alegam que a Autoeuropa pretende pagar os sábados como um dia normal de trabalho e que isso será demonstrado nos recibos de vencimento de fevereiro.

Para mais tarde fica a discussão sobre o horário de laboração contínua, que será implementado na Autoeuropa a partir do mês de agosto.

A Autoeuropa deverá atingir este ano uma produção de 240.00 automóveis, a grande maioria do novo modelo T-Roc, veículo que o grupo alemão Volkswagen pretende construir apenas na fábrica de automóveis de Palmela e que está a ter muito boa aceitação no mercado.

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