Trabalhadores da Ricon já sem garantia de pagamento do salário de janeiro

  • Lusa
  • 31 Janeiro 2018

O administrador de insolvência da empresa vem assim contrariar uma garantia dada na manhã desta quarta-feira a cerca de 350 trabalhadores.

O salário do mês de janeiro não está garantido para todos os trabalhadores do grupo Ricon, de Vila Nova de Famalicão, disse esta quarta-feira à tarde o administrador de insolvência, durante a assembleia de credores da Delvest.

“O que se passava é que havia uma conta comum de onde as várias empresas faziam tesouraria. Acabei de perceber que a fonte seria a Delvest. O dinheiro pertence à Delvest e não às outras marcas. Se não foi possível fazer o fluxo financeiro que sempre se fez, as outras empresas não vão poder receber”, afirmou Pedro Pidwell, durante a referida assembleia de credores daquela empresa do grupo.

A afirmação do responsável contraria, assim, a garantia que tinha sido dada esta manhã aos trabalhadores da Ricon SA (outra das empresas do grupo), cerca de 350, de que lhes seria pago o salário do mês de janeiro.

Fonte ligada ao processo adiantou à Lusa que a massa salarial do grupo chega aos 700 mil euros mensais.

Questionado à saída da sala de tribunal, Pedro Pidwell não quis prestar declarações, nem explicar o que havia afirmado durante a sessão.

Segundo concluiu o presidente do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes, pela voz do dirigente Francisco Vieira, em declarações aos jornalistas, no final da sessão desta tarde, “os únicos que podem ter a certeza que vão receber o salário do mês de janeiro são os trabalhadores da Delvest S.A“.

Da assembleia de credores da Delvest SA, uma das oito empresas do grupo Ricon, saiu ainda a aprovação da proposta de Pidwell de encerramento e liquidação dos ativos da empresa, sendo que o mesmo destino já foi decretado pelo Tribunal do Comércio de Vila Nova de Famalicão relativamente à Ricon S.A, à Delcon e, terça-feira, às holdings do grupo, a Nevag SGPS, a Nevag II SGPS e a Ricon Serviços.

A mesma assembleia de credores da empresa do grupo que gere rede de lojas da marca Gant em Portugal, que se encontram encerradas desde segunda-feira, depois do despedimento de todos os funcionários, ficou ainda marcada pela discussão do futuro a dar ao material que está em stock nas lojas.

Nesse sentido, a juíza que presidiu à assembleia concedeu ao administrador de insolvência “cinco dias para ver a possibilidade de escoamento da mercadoria nas lojas“, que poderá ser concentrada e posta à venda numa dos estabelecimentos da rede.

O grupo Ricon apresentou-se à insolvência em finais de 2017, tendo os trabalhadores recebido segunda-feira as respetivas cartas de despedimento.

Em comunicado, a administração da Ricon explicou que a atividade do grupo “dependia de forma significativa da Gant, quer na vertente do retalho, cuja dependência era total, quer na vertente da indústria, cuja dependência era superior a 70% e que aquela marca “se mostrou totalmente intransigente e indisponível para negociar e/ou mesmo abordar e analisar” as propostas apresentadas.

Pedro Pidwell confirmou as tentativas de negociação com a GANT, afirmando na assembleia de credores desta tarde que a “derradeira tentativa” deu-se na segunda-feira ao final do dia, com a intervenção de dois grupos de investidores, mas que a GANT recusou as propostas em cima da mesa.

Segundo a representante daquela marca sueca afirmou na referida assembleia “a GANT tem uma estratégia para Portugal que não passa por nenhuma das propostas apresentadas.

O grupo Ricon empregava perto de 800 trabalhadores.

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