Rui Rio manda recado no congresso: Bloco central “não existe nem existirá”

O novo líder do PSD afastou a ideia de um bloco central com o PS. Passou por vários temas mas centrou-se nas reformas necessárias. Rio deixou elogios a Passos e Santana Lopes e críticas à geringonça.

O novo líder do PSD já discursou no congresso deste fim de semana que vai marcar o início do seu mandato. Rui Rio criticou o Governo por não aproveitar o ciclo económico positivo “para robustecer o futuro e preparar o país para os ciclos negativos”. O PS “governa mal, mesmo quando pode parecer que governa bem”, afirmou Rio, destacando que “entre o ser e o parecer está justamente o interesse de Portugal e das gerações futuras”. Ao criticar o Partido Socialista, deixa também claro que o bloco central “não existe nem existirá”, destacando que “não pode haver qualquer confusão”.

“Esquecem-se que não ganharam as eleições e que, em nenhuma outra circunstância, o PS pode liderar um Governo, em face dos resultados das últimas legislativas”, garantiu, destacando que o PSD “só está subordinado ao interesse de Portugal”. Para Rui Rio “uma coisa é estarmos disponíveis para dialogar democraticamente com os outros e cooperarmos na busca de soluções para os graves problemas nacionais que, de outra forma, não é possível resolver”. “Coisa diferente é estarmos disponíveis para nos subordinarmos aos interesses de outros“, rematou.

O novo líder do PSD diz mesmo que o atual “arranjo parlamentar” usa “cartão e cola para segurar a sua consistência”, criticando a redução do défice por ser “praticamente o mesmo que nada” e o discurso de oposição seguido pelos parceiros da coligação. “O PSD apresentar-se-á aos portugueses como uma alternativa forte e credível a esta governação presa à extrema-esquerda”, promete Rio, argumentando que a atual solução política “não tem qualquer hipótese de cuidar coerentemente do futuro de Portugal”.

Ao fim de 45 minutos de discurso, o novo líder social-democrata afirma que quer oferecer a Portugal um futuro “que não vive angustiado” e com a “robustez necessária para termos um Estado forte e uma sociedade livre, dinâmica e criativa”. “O futuro de Portugal requer uma governação consciente de que o país tem problemas estruturais que jamais resolveremos sentados à sombra do presente“, afirmou Rui Rio, prometendo uma preocupação com as gerações futuras.

Quanto à sua ambição, Rio foi claro: “O PSD é um grande partido de poder. O seu objetivo é sempre ganhar”. Em termos de ideologia, o líder social-democrata situou o partido no “centro do espetro político nacional”, pedindo o contributo de cidadãos e outros profissionais “com elevados níveis de competência”. Porquê? Rui Rio quer que o futuro programa de Governo seja “um instrumento de estreita ligação entre o pensamento partidário e a realidade social”.

"O PSD é um grande partido de poder. O seu objetivo é sempre ganhar.”

Rui Rio

Presidente do PSD

Rui Rio começou o seu discurso por elogiar os militantes do PSD, deixando a todos uma mensagem positiva. Em particular para Pedro Passos Coelho cuja governação chamou de “salvação nacional”. Mas também deixou um cumprimento a Pedro Santana Lopes — que vai ser o presidente do Conselho Nacional do PSD — pela sua “coragem e humildade democrática” na disputa da liderança do partido. “Parte da minha vitória é também, do Pedro Santana Lopes e daqueles que estiveram de forma digna e sincera com a sua candidatura”, afirmou Rio.

Quanto ao futuro, Rui Rio afirmou que “nada deve condicionar a melhor decisão por Portugal”, nem “os interesses dos dirigentes” nem “as pequenas táticas” partidárias. E recordou uma frase de Sá Carneiro: “Primeiro está Portugal, depois o partido e, por fim, a nossa circunstância pessoal“. Rio assinala que “o povo percebe bem melhor do que se julga quando somos verdadeiros ou quando estamos a ser falsos”.

O novo líder do PSD garantiu que irá tentar “procurar dialogar” de forma a criar os consensos que o país necessita, referindo que “sozinho” o partido “jamais” conseguirá ter “eficácia” nessas reformas. E foram várias as reformas necessárias que referiu no seu discurso, a começar no próprio sistema político. “Temos todos consciência de que os partidos políticos atravessam uma crise de falta de credibilidade e de simpatia por parte dos cidadãos“, afirmou, referindo que quer “inverter” essa situação fazendo do PSD um “partido aberto, livre e descomprometido”.

É dentro do seu próprio partido que quer uma revolução: funcionamento administrativo moderno, regulamentos eficazes, fiscalização interna independente, uma completa transparência no seu funcionamento, contas partidárias equilibradas e recursos otimizados… a lista continua. Reconhecendo que “tudo muda a uma velocidade nunca antes vivida”, Rui Rio considera que “está na hora de levar a cabo as reforma estruturais necessárias”, uma tarefa que “é de todos os partidos democráticos e da sociedade como um todo”.

À reforma do sistema político segue-se a reforma da justiça. Rui Rio afirmou que “temos de combater a politização da justiça, assim como temos de evitar a judicialização da política”. E é na justiça que o líder do PSD aproveita para atacar também a imprensa: “Quantas vezes, nesta sociedade que se quer democrática, cidadãos não viram impunemente a sua condenação ser feita na comunicação social, em vez dos tribunais, que é o lugar certo e o legal para se fazerem os julgamentos?”, questionou.

Mas a “grande reforma” — expressão que indicia que esta será uma das principais prioridades de Rio no curto prazo — é a descentralização. “É uma exigência democrática que o desenvolvimento e a igualdade de oportunidades sejam uma realidade para todos os portugueses na mesma medida“, afirmou, relembrando o caso da Google, uma das únicas vezes que falou desde que foi eleito. Criticou o Governo pelo anúncio desse investimento sem a intervenção na sua localização: “Estamos perante uma oportunidade que deveríamos ter tentado aproveitar para ajudar ao reequilíbrio territorial do nosso país”, defendeu.

Reforçando o estilo com o qual quer fazer oposição, Rio afirmou que “substituir o discurso fácil e popular por uma ação séria e frontal é um risco acrescido, mas é a única forma de servir a causa pública com nobreza e seriedade intelectual“. A pensar a longo prazo, o líder social-democrata quer que o partido comece já a preparar as eleições autárquicas de 2021. A curto prazo o seu foco estará nas eleições regionais na Madeira, nas eleições europeias e, por fim, nas legislativas.

(Notícia atualizada pela última vez às 23h40)

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