Rui Rio: “Temos de andar rápido no Portugal 2030”

  • Juliana Nogueira Santos e Lusa
  • 20 Fevereiro 2018

Na reunião do primeiro-ministro e líder da oposição, Costa e Rio falaram do 2030 e da descentralização. O PSD fala de "uma nova fase". Primeiro-ministro diz que reunião foi "muito construtiva".

Rui Rio e António Costa no seu primeiro encontro em São Bento, depois da eleição de Rio como líder do PSD.Paula Nunes/ECO 20 Fevereiro, 2018

Após mais de duas horas de reunião com o primeiro-ministro, o novo líder do Partido Social Democrata deixou claro que esta “é uma nova fase entre o PS e o PSD”, sendo que quer “introduzir uma cultura diferente em que, desde que não haja grandes divergências, se consiga dialogar em prol do país”.

Em declarações aos jornalistas, transmitidas pela RTP 3, Rio considerou que os temas mais imediatos em cima da mesa foram a descentralização e o próximo quadro comunitário de apoio, mas que o social-democrata e o primeiro-ministro falaram também de reformas estruturais em áreas como a Segurança Social e a Justiça.

“O imediato é a questão do próximo quadro comunitário de apoio, o Portugal 2030 como lhe chamou o Governo, e temos de andar rápido. E a questão da descentralização ou municipalização”, apontou Rio. “As outras são para ponderar, mas nunca se fez uma reforma da justiça a sério.”

Relativamente à descentralização, o PSD mostrou abertura para entrar no diálogo com a Associação Nacional de Municípios, enquanto acerca do novo quadro comunitário de apoio, o partido passará agora para a nomeação de interlocutores, para assim prosseguir a negociação.

Na Justiça, Rui Rio apelou à necessidade de implementar uma reforma que seja feita com “ponderação”, uma vez que “não se faz uma reforma a sério” desde antes do 25 de abril. Nos próximos tempo “vai ser possível a votação do que está em cima da mesa, mas queremos que vá para além disso”.

Já no tópico da Segurança Social, o líder dos sociais-democratas garante que “não estão em causa alterações à situação presente”, mas sim tomar medidas e reformar para o futuro, para o que vai ser a Segurança Social daqui a dez anos, tendo em conta a situação demográfica.”

Uma sensação de déjà vu

Questionado acerca das parecenças entre esta reunião e a que Rio e Costa tiveram enquanto autarcas do Porto e Lisboa, respetivamente, Rio afirmou que “do ponto de vista pessoal não há diferença nenhuma”. “A reunião fez-me lembrar outras que tivemos no passado, mas o entendimento entre municípios é muito mais fácil que entre dois partidos”, considerou.

“É imprescindível que haja em Portugal este ambiente de cooperação entre os dois maiores partidos, mas não basta”, continuou ainda Rui Rio, considerando que os consensos vão ser “mais fáceis” com o CDS do que com o Bloco de Esquerda. “Mas não excluímos ninguém”, clarificou.

Por fim, e relativamente às notícias que têm rodeado Elina Fraga, a social-democrata que será o braço direito de Rio no partido, este quis apenas dizer aos jornalistas para que estes lhe façam “todas as perguntas”, para que tenham “todas as respostas que eu tive e mais ainda”.

Costa diz que reunião “correu muito bem”

O primeiro-ministro, António Costa, considerou esta terça-feira que a conversa com o presidente do PSD “correu muito bem” e foi “muito construtiva”, distinguindo a atual solução governativa, que não precisa de mudar, de temas que requerem acordo político mais alargado.

“Há sempre o tempo de semear e depois o tempo de crescer, mas vamos ver como é que as coisas correm, mas foi uma conversa muito simpática, muito cortês, muito construtiva”, respondeu António Costa quando questionado sobre o encontro desta terça-feira com o novo presidente do PSD, Rui Rio, que disse ter corrido “muito bem”.

“É desejável que não se limite a haver um acordo entre os partidos da maioria, mas que possa ser alargado a outras forças políticas”, defendeu.

(Notícia atualizada às 16h39 com mais informação)

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