Mário Centeno sobre a economia europeia: “Para ser honesto, não estamos totalmente a salvo ainda”

  • Tiago Varzim
  • 1 Março 2018

O presidente do Eurogrupo debate esta quinta-feira com o vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo euro no ISEG. A iniciativa "Diálogos com os Cidadãos" foca-se no futuro da Europa.

Mário Centeno admitiu esta quinta-feira numa conferência no ISEG que os problemas da Zona Euro e da União Europeia ainda não estão resolvidos. “Para ser honesto, não estamos totalmente a salvo ainda” na economia europeia, disse, ao lado de Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia, num discurso dedicado ao futuro da Europa. A sessão foi promovida pela Comissão Europeia através da iniciativa “Diálogo com os Cidadãos”.

Dirigindo-se aos alunos da faculdade, Mário Centeno argumentou que “o euro faz parte de nós, não é uma realidade longínqua” e, portanto, deveria existir uma preocupação para discutir o aprofundamento da União Económica e Monetária. Isto porque para o presidente do Eurogrupo “se não resolvermos [os problemas existentes], as próximas crises virão mais cedo e irão magoar o mesmo”.

E o que vai fazer a União Europeia? A ideia principal é que a redução do risco irá de mão dada com a partilha de risco no futuro. “A estratégia que estamos a adotar a nível europeu no processo de reforma é uma estratégia sequencial sem cortar na ambição”, explicou Mário Centeno, assinalando que “o esforço seria na redução do risco para permitir a resolução dos legados da crise que afetaram de forma distinta vários países”.

O ministro das Finanças português argumenta que é importante haver uma coordenação na Zona Euro que “promova uma rapidez de ação que não existia no período anterior à crise“. Ou seja, um trabalho coordenado entre as autoridades nacionais e as europeias. Uma das possibilidades em cima da mesa é a criação de um ministro das Finanças da zona euro que iria fundir o cargo de presidente do Eurogrupo e o comissário europeu responsável pelos Assuntos Económicos.

Mário Centeno não colocou de parte a possibilidade de vir a assumir esse cargo, mas garantiu que essa é uma questão que não está no seu “futuro imediato”. “O tema da figura do ministro das finanças europeu não tem merecido muito tempo à volta da mesa do Eurogrupo“, admitiu, destacando que o “calendário é difícil porque é curto para ter propostas até junho que permitam avançar nestes domínios”. Os ministros das Finanças “não são propriamente pessoas que discutam estes temas de formato com muito facilidade”, confessou.

Para já, os Estados-membros devem preparar-se para uma nova crise criando almofadas orçamentais que possam responder aos desafios do futuro. Olhando para o lado positivo, Centeno fez questão de assinalar que “nunca na história recente houve uma convergência tão grande nas contas públicas dos diferentes países da zona euro“. O presidente do Eurogrupo acrescentou ainda que “estamos a beneficiar hoje de crescimento generalizado” e que este crescimento é “mais sustentado” porque é “baseado em investimento e em exportações”.

A discussão alargou-se a outros temas que estão em cima da mesa como a união bancária, a garantia comum de depósitos, o mercado de capitais e o futuro da banca europeia. O ministro das Finanças português admitiu que não pode imaginar “haver uma moeda única sem uma garantia comum de depósitos”. Dombrovskis até concordou, mas colocou água na fervura: a medida é para avançar, mas por etapas e de forma gradual.

O vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelo euro colocou a tónica na necessidade de proteger o investimento, principalmente o público, durante períodos de crise, criando-se instrumentos financeiros. Além disso, Dombrovskis disse que a zona euro tem de ser transparente para com países que queiram entrar na área económica para trabalharem em conjunto. Para o letão há um “período crucial entre agora e junho” em que os “acordos devem ser alcançados”.

Um dos temas em que terá de haver acordo é o mercado de capitais comum. Tanto Mário Centeno como Valdis Dombrovskis consideram que esse cenário não está “muito longínquo” e que “a união do mercado de capitais é crucial para completar o mercado único”. Esta será uma forma de as empresas conseguirem “formas de financiamento mais diversificadas que sejam robustas e que resistam às flutuações das economias locais“, explicou o presidente do Eurogrupo, indicando que é preciso mudar a legislação para criar condições para haver “movimentos transfronteiriços de capital”, o que ainda não existe.

(Notícia atualizada às 19h29 com mais informação)

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