Isabel dos Santos desmente acusações. “A Sonangol estava falida”

Está aberta a guerra: Isabel dos Santos desmente as acusações da nova administração da Sonangol e denuncia uma campanha para voltar a uma cultura de desonestidade na petrolífera.

Depois das acusações, graves, a resposta de Isabel dos Santos não é menos contundente e até inédita. A empresária afirma que a Sonangol estava falida quando assumiu funções e presta contas dos resultados do seu mandado: “o resultado da minha gestão exercida até 15 de novembro de 2017 resultou num aumentou de lucros da Sonangol em 177%, e atingiu 224$Mio, e a dívida foi reduzida em 50%”. Por isso, “trata-se de nada mais que um circo, uma encenação! Procurar buscar um bode expiatório, para esconder o passado negro da Sonangol, e escolher fazer acusações ao anterior Conselho de Administração! Ora, isto não passa de uma manobra de diversão, para enganar o povo sobre quem realmente afundou a Sonangol. E seguramente não foi este Conselho de Administração que presidi, e que durou 18 meses, que levou a Sonangol à falência!”

No comunicado, longo, que enviou há minutos, Isabel dos Santos descreve de forma pormenorizado todas as operações que foram invocadas por Carlos Saturnino, atual presidente da Sonangol, como suspeitas e a justificarem, até, a abertura de um inquérito da PGR de Angola. A empresária não poupa críticas explícitas a Saturnino: “As tentativas de Carlos Saturnino de reescrever a história são consequência, no meu entender, de um retorno em força da cultura de irresponsabilidade e desonestidade que afundaram a Sonagol em primeiro lugar”. E críticas implícitas ao próprio Manuel Vicente, antigo presidente da Sonangol e que, agora, com o novo presidente, João Gonçalves, voltou a recuperar uma posição de força e influência política perdida nos últimos anos. “O grau de agressividade e as campanhas difamatórias reproduzidas, e em perfeita coordenação com os órgãos de imprensa da oposição, e com as oficinas de manipulação das redes sociais, demonstram que há um verdadeiro nervosismo em alguns meios. Meios estes, com interesses financeiros, que durante anos aproveitaram e construíram fortunas ilegítimas à custa da Sonangol, e agora tudo fazem para que o escândalo da minha acusação difamatória distraia a opinião pública de ver os verdadeiros responsáveis”.

O presidente da Sonangol, Carlos Saturnino, acusou Isabel dos Santos de ter autorizado a transferência de 38 milhões de dólares da petrolífera angolana para o exterior dias após a sua exoneração enquanto presidente da empresa, a 15 de novembro último, diz a Bloomberg. O dinheiro teve como destino uma empresa no Dubai, a Matter Business Solutions DMCC, tendo a anterior presidente da Sonangol usado o banco português BIC para concretizar estas operações.

Esta denúncia, em conferência de Imprensa, teve consequências: A Procuradoria-Geral da República de Angola anunciou esta sexta-feira que foi instaurado um inquérito para investigar as transferências monetárias alegadamente irregulares durante a gestão de Isabel dos Santos na petrolífera.

Isabel dos Santos termina o comunicado de forma dura: “O problema da Sonangol não é e nunca foi Isabel dos Santos, mas sim a irresponsabilidade da gestão e das entidades que beneficiarão de contratos leoninos e ganharam milhões, e hoje esperam poder continuar a gozar e viver desta prevaricação”.

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