Depois da Sophia, conheça a Vera. Esta robô ajuda as empresas a recrutarem trabalhadores humanos

Enquanto a humanoide Sophia insiste em prever que robôs vão roubar empregos a humanos, novo software Vera está a ajudar empresas gigantes a recrutar colaboradores... humanos.

Os robôs vão roubar os empregos aos humanos? A Sophia acredita que sim, mas a Vera está a provar o contrário. Este novo software humanoide de inteligência artificial está a ser usado por uma startup russa para ajudar os seus clientes — nomes tão relevantes como a Pepsi, a Ikea e a L’Oréal — a aumentar a eficiência do recrutamento de colaboradores… humanos.

Vera analisa currículos, faz entrevistas e seleciona os melhores candidatos para um dado emprego.Stafory

Criada por Vladimir Sveshnikov e Alexander Uraksin, a Vera combina a tecnologia de reconhecimento de voz presente em assistentes virtuais (como a Siri da Apple e a Alexa da Amazon) com o conhecimento da Wikipedia e a lista de anúncios de postos de emprego disponíveis.

De acordo com os criadores, o software consegue cortar um terço do tempo despendido no recrutamento, já que graças às suas múltiplas funcionalidades consegue entrevistar centenas de candidatos simultaneamente (por chamada de vídeo ou de voz) e selecionar os cerca de 10% mais adequados para os cargos à disposição que depois são avaliados pelos recrutadores humanos.

“Sentíamo-nos robôs nós próprios, portanto descobrimos que era melhor automatizar a tarefa”, explica Uraksin à Bloomberg, referindo a sua experiência enquanto membro de um departamento de recursos humanos.

A startup, que arrancou, em dezembro de 2016, na Rússia, já conquistou clientes no Médio-Oriente e está atualmente a desenvolver projetos-piloto na Europa e nos Estados Unidos. Este ano, a companhia espera, por isso, que as suas receitas ultrapassem o milhão de dólares (805 mil euros).

Por agora, Sveshnikov and Uraksin estão focados no desenvolvimento da Vera e no “ensino” do reconhecimento de raiva, prazer e desapontamento.

Até ao momento, o software já realizou 2.300 entrevistas e analisou mais de um milhão de currículos.

O desemprego provocado pela automatização tem sido apontado como um dos principais desafios que a humanidade terá de enfrentar nos próximos anos. Apesar dos receios, alguns especialistas acreditam que essa transformação acabará, no entanto, por criar novos empregos que mitigarão os efeitos do desaparecimento de algumas funções que serão assumidas por robôs.

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