Portugueses trabalham mais 54 minutos do que os espanhóis

Trabalham menos por semana, ganham mais e são mais produtivos. Mas a fotografia tirada a Portugal e Espanha mostra que nem sempre "a galinha da vizinha é melhor do que a minha".

Trabalham menos horas por semana, ganham mais e são mais produtivos. A fotografia tirada à Península Ibérica mostra que, no mercado de trabalho, Espanha apresenta indicadores mais favoráveis do que Portugal. Mas há outros parâmetros onde Portugal ganha, como por exemplo na importação de eletricidade.

Em 2016, o número médio de horas trabalhadas por semana a tempo inteiro em Portugal foi de 42,1 acima das 41,2 verificadas em Espanha. São mais 0,9 horas, o que significa 54 minutos a mais de trabalho em Portugal face a Espanha.

Os dados constam da publicação “Península Ibérica em números – 2017”, divulgada esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O trabalho reúne dados dos institutos de estatística de Portugal e Espanha e do Eurostat.

A boa notícia é que, em Portugal, o número médio de horas de trabalho – para quem trabalha a tempo inteiro – está a reduzir-se.

Depois de um pico em 2014, o número médio de horas trabalhadas em Portugal está a baixar, um resultado para o qual terá contribuído a redução do horário de trabalho na Função Pública para as 35 horas semanais que entrou em vigor em julho de 2016.

No entanto, Portugal está acima de Espanha e também da média da União Europeia. “Em 2016, a nível da UE, a Grécia registou o valor mais elevado (44,6 horas) e a Dinamarca o mais baixo (38,7 horas), sendo de 41,4 horas para a UE no seu conjunto”, afirma o INE.

A redução da jornada de trabalho tem sido um fator importante em negociações salariais. Este ano, e perante a resistência dos empregadores em dar maiores aumentos salariais, um importante sindicato alemão fechou acordo com empregadores de grandes empresas germânicas que prevê uma redução da jornada de trabalho.

Por outro lado, o número de horas trabalhadas a tempo parcial mostra que em Espanha o recurso a esta solução é mais notório. O país vizinho “registou um valor superior ao de Portugal, quer para os homens (18,8 horas e 17,2 horas, respetivamente), quer para as mulheres (18,9 horas e 17,2 horas, respetivamente)”.

Apesar de trabalharem menos horas a tempo inteiro, em Espanha a produtividade por hora de trabalho é superior à portuguesa. Espanha está aliás, quase, ao nível da média europeia (com a produtividade igual a 97,9% da média da UE), enquanto em Portugal a produtividade medida pelo PIB em paridades de poder de compra ficava em 67,9% da média da UE.

Além disso, em Espanha o salário mínimo é mais alto. No país vizinho, a retribuição mínima mensal era em 2017 de 826 euros, ao passo que em Portugal era de 650 euros. No ano antes, que compara diretamente com os indicadores acima, Espanha também pagava mais do que Portugal (764 euros contra 618). Este cálculo é feito considerando o salário anual dividido por 12.

Em vários indicadores económicos, Portugal apresenta desempenhos menos favoráveis do que Espanha. “No período 2007-2016, o PIB per capita em Portugal foi sempre inferior ao verificado em Espanha”, escreve o INE, mas há indicadores na área económica em que não é assim.

Em 2016, a taxa de crescimento das camas em estabelecimentos hoteleiros aumentou 2,7%, contra uma descida de 0,7% em Espanha.

Na importação de energia, Portugal sai a ganhar. “No início da década 2006-2015, os valores da importação de eletricidade por Portugal e por Espanha eram relativamente próximos: 8.624 GWh e 9.093 GWh, respetivamente. Mas, desde então, os dois países seguiram trajetórias sempre diferentes neste domínio, terminando o período em referência com a Espanha a importar quase o dobro da eletricidade relativamente a Portugal.”

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Portugueses trabalham mais 54 minutos do que os espanhóis

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião